A Dor de Cabeça Que é Ter um BI em Moçambique

A Dor de Cabeça Que é Ter um BI em Moçambique

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Meu bilhete de identidade (BI) expira no próximo mês e estou a começar a ficar seriamente preocupado uma vez que ainda me lembro do sufoco que passei para conseguir trata-lo.
Eu lembro que cheguei lá pouco depois das 8 da manhã e já estavam lá centenas de pessoas, uma bicha (fila) enorme, acho que levei uns 3 minutos pra chegar até a última pessoa, a quem segui por uns 5 minutos até eu perder a paciência e me ir embora.

A bicha não ia pra frente, e sem perceber, eu dava passos pra traz pra dar lugar aos vizinhos, amigos ou qualquer pessoa que tivesse algum dinheiro para dar às pessoas que estavam mais à frente da bicha.
Eu decidi voltar lá no dia seguinte e mais cedo, eram cerca de 5 e meia, e para a minha surpresa já havia uma fila quase igual a do dia anterior. Para não perder a viagem comecei a seguir a fila até que um fulano com uma aparência não muito atraente chama-me discretamente, eu fui até ele (um pouco apreensivo, mas fui) e ouvi o que ele tinha a me dizer.

Ele: Tenho senha número 10.
Eu: Ham? Senha? O que? Quem é você?
Ele: Tenho senha da bicha de BI’s.

Eu percebi o que ele queria, tirei 200 meticais e lhe dei (eu sabia que 50 bastavam, mas não queria ter que ouvir coisas como “Aumenta lá 10 brada.”).
Fui até ao início da fila muito aliviado e feliz e procurei pela pessoa que tinha a senha número 9, não encontrei (provavelmente a senha ainda estava à venda), então fiquei atrás do número 8 mesmo.
O notário abre as 7:30 e ainda eram 6 e tal, por isso tive que ser simpático com quem estava por perto pra não ficar sozinho. Enquanto jogava conversa fora com as mamanas, surgiu um problema que não me surpreendeu muito: Havia pessoas com senhas com o mesmo número. Mas parece que isso não era problemas para os fiscais de senhas pois eles nem se importaram com isso, existia ali uma conexão entre eles e os vendedores.

Finalmente aquela tartaruga começou a andar e eu finalmente estava quase tratar meu BI e sair daquele caos.
Faltando apenas duas pessoas para eu ser atendido, uma das funcionárias fazer uma asneira num dos computadores e ainda cometeu a asneira de não saber como arranjar. Tivemos que fixar uns 30 minutos até que alguém chegasse e dissesse que só era preciso reiniciar o computador para tudo voltar ao normal.
Daí tive que aguentar os papos e as saídas constantes das senhoras que trabalham lá, tive que ver pessoas estranhas entrando e saído sem ter que formar bicha, era uma casa sem Lei.
E sempre que eu me lembro que daqui a alguns dias terei que passar por isso de novo fico indignado. Quer dizer. Para qualquer coisinha neste país nós temos que pagar a uma bando de fidas sem vergonha que nem sabem fazer o trabalho deles como deve ser?
Até onde eu sei, as instituições públicas encerram as 15, mas é normal que aqueles fulanos fechem aquilo as 12 quando já não cabe mais nenhuma nota nos bolsos.

Veja este vídeo feito pela TIM no ano passado.

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2 COMENTÁRIOS

  1. A ma prestação de services públicos castiga aos utentes inocentes, por is so, pode-se favor e ajuda a quem sent julgar capaz

  2. A situação de obtenção de BI em Moçambique, de facto continua sendo um verdadeiro calcanhar de Aquiles, em particular em Jangamo na Província de Inhambane. So para citar algum exemplo, Ricardo Adelino Marrengula tratou a renovação do seu BI no dia 31 de Setembro de 2011 no Serviço de Identificação Civil de Jangamo e, parecendo anedota,o mesmo ainda não foi emitido ate a data de hoje (12/05/2014). Nem sabe quantas vezes pediu a renovação do Talão que ostenta somente 15 dias de validade. O facto mais curiosos e que para a renovação do talão, ora em alusão, deve se recorrer a Direcção Provincial de Identificação Civil de Inhambane cita na Cidade do Mesmo nome, portanto, a aproximadamente 30 km, custando pouco mais de 50 mts aos transportadores semi -colectivos vulgo chapas – cem. Alias, sempre que este procura saber da emissão do seu BI junto as entidades competentes, e amostrado uma lista de outros coitados que se encontram na mesma situação. Face a mesma situação, a DPICI apela para aguardar ate que se complete o período de 5 anos tidos como período normal da validade do BI para pedir a emissão do novo porque o pedido se encontra a ser processado no sistema. A pergunta que se coloca e: Que vida vão levando estes moçambicanos não reconhecidos pelo seu próprio pais numa altura em que todos os serviços exigem este reconhecimento como requisito primordial para a tramitação de qualquer processo que seja?
    A ma prestação de serviços públicos castiga aos utentes inocentes, por isso, pede-se favor e ajuda a quem se julgar capaz

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