As entranhas de Maputo (des)iludidas por Poeta Militar

As entranhas de Maputo (des)iludidas por Poeta Militar

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A Cidade de Maputo!

Obrigado minha cidade, pelos anos que fazes. Talvez, pelos anos que faço em ti.
Obrigado pelos carros que, como Coca-cola, se engarrafam em todas as avenidas ao entardecer. Pelas caixas de lixo inundadas de restos inteiros de comida anunciando fome em subúrbios.
Obrigado, cidade capital, pela paz que desfila pelas passaleras das TV’s enquanto a falta de paz faz parar vidas no Centro e Norte. Pelas armas, pelo sangue, pelas tripas, pelas cédulas de paz queimadas…
Obrigado pelo desenvolvimento; pela corporação que usa a mão esquerda para matar a justiça e a mão direita para enterrá-la. Obrigado pelo exército que garante a paz.
Obrigado pelas putas que vendem o que não cabe em tuas saias, minha cidade. Pela barraca que não vende álcool para menores, onde um menor vende. Por tudo. Pelos panfletos de campanhas eleitorais que ainda sujam as tuas pernas, como marcas de um período menstrual mal visto.
Obrigado pelas Universidades, pelas Escolas, pelos jardins onde crianças sujas de incertezas plantam as flores secas dos seus sorrisos. Obrigado pelas Igrejas que dizimam com seus dízimos a nossa fé em feitiços e magias. Pelos “My Love’s” que quebram em cacos o nosso Love por ti. Obrigado pelas valas que servem de camas de lixo.
Obrigado pelo parlamento, pelas nossas esquadras que servem de Infernos de processos de inocentes.
Obrigado pela Poesia, pela Música, pela dança, pela linda moça que há em ti.

Autor: Poeta Militar

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