Textos Reflexão A Literatura Jovem em Moçambique

A Literatura Jovem em Moçambique

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Já há algum tempo que venho reflectindo sobre o actual estado da literatura juvenil em Moçambique, nessa terra tão bela quanto polémica. Sendo eu um jovem escritor, aflige-me bastante o que tenho visto e reparado. É algo que tem passado despercebido aos olhos de muitos. O que tem estado a acontecer neste ramo é o seguinte: Somos muito poucos, os jovens escritores que lutamos para se fazer presentes no panorama da nossa arte literária, isso para não falar (ainda) no simples desleixo que a maioria dos jovens tem pela literatura. Sinto que teremos de reintroduzir na nossa sociedade o hábito da leitura e inspirar a escrita, ou corremos o risco de marcar futuras gerações com a nossa fraca presença ou mesmo ausência nesse meio.

Se não vejamos: Até hoje, ainda nos contentamos com a herança que a geração 25 de Junho deixou e continua deixando. Desculpem-me ao ser tão directo  mas é a verdade e para poupar palavras darei exemplos: Até hoje ainda nos guiamos por obras do José Craverinha, Paulina Chiziane, Mia Couto, Noémia de Sousa, Rui de Noronha, Marcelino dos Santos, Ungulane Bah Ka Cossa … entre outros, que muito antes da ansiada independência, lutaram com o que tinham em mão para alcançar a tão esperada paz que hoje em dia desfrutamos. Tratava-se de uma luta psicológica com o antigo sistema. Surgiu a explosão da arte literária em Moçambique, nos bairros sub-urbanos da capital, pelos distritos e províncias. Com a inspiração movida pela fé, compunham poemas e crónicas… desestabilizando psicologicamente o nosso inimigo na altura. Narravam o dia a dia do povo e inteligentemente perspectivavam o futuro que é o nosso presente. Resultado do tal esforço, até hoje nos orgulhamos das obras de arte que estes magnifico escritores compuseram e nada ou pouco fazemos para “provar ao futuro” que fomos inspirados pelos mesmos. Sinto que somos a juventude mais banal de todos os tempos! Apelo aos meus colegas, jovens escritores e os demais, mais união e cooperação, para que possa haver uma mudança radical da nossa literatura. Proponho que passemos a criar obras que tenham mais a ver com o que temos vivido actualmente no seio da nossa sociedade, que é bastante carecida de educação cívica! Hoje em dia o nosso povo desfruta da paz, mas ainda existem inimigos no nosso seio. Falo das drogas, do álcool, da prostituição, do racismo, tráfico de menores, corrupção… estas minas que têm explodido diariamente, deixando vários dos nossos irmãos desgraçados, enquanto nós permanecemos relaxados, desfrutando da nossa “herança” e fingindo que nada disso existe!

Verdades em forma de obras de arte, são um dos meios mais viáveis para levar vários jovens e os demais, à reflexão e mudança de atitude. Afinal de contas qual é o papel do escritor na sociedade? Não basta descrever as alegrias e tristezas que são abundantes no nosso meio. Temos de ser mais interventivos e didácticos, dando assim o nosso contributo para a existência de um meio mais são. Apenas questionar-mo-nos porque poucos jovens têm o hábito de leitura, não irá trazer os demais até aos nossos textos, devemos nos adaptar ao ritmo dos passos da sociedade! Vamos deixar os nossos irmãos mais novos perdidos na ilusão do Peter Pan, acreditando que serão flores para sempre? Porque não criar contos infantis apresentando-os à realidade da forma mais doce e verdadeira, preparando-os para a vida adulta que é tão conturbada? Costuma dizer-se “ De pequenino, se torce o pepino”, eu creio, e defendo isso!

Trabalhemos todos juntos, para que as gerações futuras carreguem uma recordação benigna, da nossa. Sejamos inconformistas com o estado actual da nossa sociedade, sejamos mais participativos e contribuintes para a resolução dos problemas que afectam a mesma. Pois Moçambique precisa do nosso apoio, Moçambique precisa de acções  ”idênticas” às que os nossos pais tiveram, pois, só assim poderemos vencer as mazelas existentes no nosso meio e inspirar positivamente as flores de hoje que serão os homens e escritores do amanhã.

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Emerson David de A. Chiloveque, 24 anos de idade, nacionalidade moçambicana. Estuda Relações Internacionais e História, em Tula, Rússia. Assumiu-se escritor amador há 2 anos. Chil escreve contos, crónicas e artigos para jornais e blogs. Enamorado pela arte, Chil encontrou na escrita a paz que precisa para contribuir para o desenvolvimento e enriquecimento cultural da humanidade.

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