Moçambique Analisando as causas das escaramuças da Munhava

Analisando as causas das escaramuças da Munhava

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O Jornalista Gustavo Mavie fez uma análise sobre os  tumultos ocorridos no bairro da Munhava, durante o comício do MDM e do seu candidato à presidência do município da Beira, onde segundo o Canal Moz e o @Verdade a Força de Intervenção Rápida teria sabotado o evento com gás lacrimogéneo e outros actos de violência contra os militantes.

tumulto

Por Gustavo Mavie para o Jornal Notícias ed. de 19.11.2013

Nos países onde os direitos e a privacidade dos outros são respeitados, a semelhança da Inglaterra onde vivi algum tempo, se alguém tem vizinhos muito próximos e quer fazer uma festa é imperioso que comunique à Polícia.

Mais importante ainda, tem que pedir autorização aos seus vizinhos e, mesmo assim, a festa não pode exceder a hora previamente acordada.

Infelizmente, entre nós, talvez porque começamos a trilhar o caminho que leva ao civismo muito tarde demais, fazemos festas barulhentas pelas noites adentro, sem termos pedido aos nossos vizinhos que, até podem estar a padecer de doenças delicadas e sensíveis ao ruído, como é o caso da hipertensão.

Há quem diga que somos assim, porque a maioria de nós ainda não assimilou as boas práticas urbanas, razão pela qual até urinamos em tudo o que é sítio.

Talvez porque só começamos a trilhar os tais caminhos do civismo em 1975, quando fomos libertados do diabólico colonialismo pela mesma Frelimo que, hoje, alguns odeiam com uma intensidade que nunca chegaram a odiar aqueles que nos dizimavam com as armas do apartheid, no caso vertente a Renamo, e alguns dos que agora nadam nas águas do MDM que, na óptica de alguns, é a Renamo apenas com outra roupagem.

Toda esta referência à imperiosidade de se pedir aos vizinhos antes de se fazer uma festa capaz de prejudicar o seu descanso, vem a propósito do showmício que o MDM, do Daviz Simango, realizou na “Varanda da Frelimo”, segundo as palavras de um colega da Beira que assistiu aos confrontos da Munhava.

Ele considera o local onde o MDM fez o seu showmício de “Varanda da Frelimo”, porque dista cerca de 200 a 300 metros da Sede da Frelimo, o que para ele é algo muito estranho e suspeito, porque era suposto que o MDM tivesse calculado à prior que, sendo um momento de campanha, a própria Frelimo precisaria dessa sua varanda para acomodar milhares de seus militantes e apoiantes que, obviamente, não podiam caber dentro do edifício da sua sede.

Aliás, pelos relatos que tive a oportunidade de acompanhar através da imprensa e de alguns colegas que estiveram a cobrir a campanha da Frelimo e do MDM, tudo começou quando a caravana da Frelimo estava a regressar de mais um giro pela cidade.
Ao tentar passar entre os participantes ao showmício do MDM para chegar à sua sede, a caravana da Frelimo deparou-se com a oposição de alguns dos simpatizantes do partido do Daviz Simango que participavam no showmício.

Para mim, é algo que não se pode explicar com simples palavras, quando se procura saber como é que a liderança do MDM decidiu organizar o seu showmício nas proximidades da Sede da Frelimo, de quem essa mesma liderança do MDM encara não como adversário político mas sim como inimiga, daí que, desta vez, uma das acusações que voltou a fazer o próprio Daviz, foi de que os incidentes de sábado último na Munhava, tinham como principal objectivo assassiná-lo.

Será que o MDM não tinha outro lugar melhor na cidade da Beira para fazer o seu showmicio, a não ser nas proximidades do seu adversário político, aliás, inimigo?

Como é que o Daviz esperava que a Frelimo fosse dar à sua sede, se a sua varanda estava ocupada pelos seus shomicistas? Será que o Daviz Simango haveria de considerar normal se a Frelimo fosse fazer o seu showmicio na sua varanda ou mesmo nas imediações da sua sede?

Pior que tudo isto, como é que o MDM haveria de encarar esta decisão se ocorresse num dia em que o próprio MDM estivesse no último dia de uma campanha eleitoral como foi o caso da Frelimo, em que a sua sede na Munhava estava a conhecer um movimento desusado dos seus próprios membros, devido à campanha que estava a levar a cabo?
Não acha mesmo que a escolha do local pode ser vista como uma armadilha que visava o que acabou acontecendo? E que agora o Daviz está a expor a toda a força e a todo o mundo como mais uma prova de que a Frelimo é mesmo contra o MDM?

Mas se já sabe que a Frelimo é sua inimiga número 1 como o diz a todo o momento sem prová-lo convincentemente, porque é que não evita estar onde está e pior que isso, vai onde está? Não terá urdido e aplicado aqui, neste caso da Munhava, a estratégia do antigo político e multimilionário nigeriano, Moshodu Abiola, de que quando se quer beijar uma mulher, há que se estar próximo dela, do mesmo modo que para se bater a um homem, há que se estar próximo dele? Não terá sido para bater a Frelimo que o levou a organizar o seu showmicio na sua varanda?

Levanto esta hipótese, porque não vejo porque é que foi fazer o seu showmicio nas proximidades da sede de um partido que mesmo que esteja untado pelo perfume mais bem odoroso do mundo, lhe enjoa! Ou era para mostrar à Frelimo que todos os beirenses estão morrendo de amores por si e pelo seu MDM. Mas se era esta a intenção, nos dias em que estamos, não precisava de ir mostrar in loco, porque as mágicas TV´s, agora com os plasmas, até se vê melhor em tempo real o que acontece pelo país e mundo fora, independentemente da nossa localização, e em melhores condições que algumas pessoas que até estão no terreno.

Na verdade, para nós que como jornalistas temos a obrigação de acompanhar o que vai acontecendo como o que o MDM vai fazendo, o caso Munhava é apenas a repetição, com outras vestes de uma velha estratégia de urdir esquemas que possam induzir as pessoas menos informadas a acreditarem que a Frelimo é sempre o mau da fita.

O mesmo aconteceu nas eleições gerais de 2004, quando o MDM tentou culpar a Comissão Nacional de Eleições (CNE) de tê-lo excluído deliberadamente de sete dos 11 círculos eleitorais existentes em Moçambique.

Como sempre, alegaram que a sua exclusão teria sido urdida pela Frelimo, porque sabia que se concorressem em todas as províncias, o MDM iria ganhar em todas. Só que isso não era verdade porque apesar de o próprio Daviz Simango ter concorrido como candidato a Presidência da República teve de se conformar com o terceiro lugar, tendo Dhlakama caído no segundo e Guebuza no primeiro, com uma maioria esmagadora de 75 por cento dos votos validos.

Foi graças aos factos que nos foram providenciados pela CNE na altura, que ficamos a saber que o verdadeiro culpado dessa exclusão do MDM era a própria liderança daquele partido, que submeteu parte mínima dos processos referentes à inscrição dos seus candidatos às Assembleias Provinciais no último dia do prazo estabelecido e, pior que isso, quando faltavam apenas 15 minutos do término do horário de expediente.

Mesmo assim foi gritando aos quatro ventos que havia sido excluída deliberadamente a mando da Frelimo, porque temia a vitória do MDM. E veja que fez esta acusação apesar de que a própria liderança do MDM havia escrito uma carta à CNE, em que pedia encarecidamente a esta, que aceitasse receber à posterior, os processos que não havia submetido dentro do prazo.

Isto é grave quando se recorre a mentiras e acusações contra inocentes. É o que me parece que o MDM está a repetir no Caso Munhava, onde foi bloquear a “Varanda da Frelimo”, para criar condições de choques entre militantes de ambos os partidos e daí acusar a Frelimo de ser contra o seu partido.

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Este artigo foi enviado por um leitor do Moz Maníacos. O seu conteúdo não da nossa responsabilidade.

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