Entrevistas Angolanismos estragam a música moçambicana

Angolanismos estragam a música moçambicana

O locutor da Rádio Cidade em Maputo, Lautinho Perreira, está à favor da eliminação de tiques internacionais das músicas moçambicanas porque acredita que assim o desenvolvimento musical moçambicano será promissor.

Lautinho e alguns colegas da rádio travam, já há algum tempo, uma luta para evitar tocar músicas de moçambicanos contendo expressões e tiques internacionais, pois Moçambique tem próprias expressões que identificam o povo. Assim “temos que aproveitar e explorar aquilo que é nosso, moçambicano, nada de imitar aquilo que é angolano ou sei lá.”

Por conseguinte, essa onda de uso de expressões internacionais abrange cantores emergentes “eu costumo a ouvir músicas de alguns artistas emergentes que usam umas expressões que os angolanos gostam de usar, por exemplo: wi, xêh. Isso aí em Moçambique não se diz”. Em torno disto, ele relembra que, a quando das primeiras aparições, o cantor moçambicano Twenty Fingers “ tinha essa mania [e] chamaram-lhe à atenção” e, actualmente, nas musicas deste cantor “ [não se ouve] nenhum xêh, wi.”

Implicitamente, demonstra-se sedento pela (re)propagação das músicas do cantor moçambicano Danny OG ao afirmar que “nós cá em Moçambique temos nossas manias, o Danny OG tem umas expressões que podemos aproveitar e não faz mal nenhum” acreditando que “é bom aproveitar o que é nosso, o orgulho moçambicano.”

O uso dessas expressões estrangeiras poderá influenciar negativamente no intercâmbio musical entre Moçambique e Angola principalmente, cogitando, portanto, numa hipótese duvidosa sobre a origem do cantor que faz uso das expressões e numa perda de identidade, pois “vocês estão a copiar tudo que temos cá! Porque é que não usam os vossos tiques?! Maningue nice, Xhô.”

Com isso, no processo de filtragem das músicas que tocam nos programas radiofónicos são descartadas todas aquelas que têm insultos e expressões angolanas, definitivamente “essas músicas não devem, em momento algum, passar em qualquer canal nacional” e “se há uma forma de identificar um indivíduo é através da forma como [ele] fala.”

Porquanto, nos últimos tempos, na arena hip-hop, debate-se a tendência para os chamados “valetismos” que se verificam frequentemente nas músicas de rapers mais populares e menos populares. Ao analisarmos devidamente esta tendência poderemos constatar que a busca de ‘skillz e flows’ resulta na perda de identidade. Prestemos atenção para os ‘erres’ (R)!

Texto: Nigga Shar