Moçambique e a Banda Desenhada

Moçambique e a Banda Desenhada

Deixem-me deixar a modéstia à parte e dizer que ainda não conheci um moçambicano com uma colecção de banda desenhada maior que a minha, o que não chega a ser uma grande surpresa para ninguém ao observarmos o nível de promoção desta arte do lápis. Mas eu confesso que ficaria feliz se alguém viesse confrontar a minha afirmação – seria uma forma de saber que não estou sozinho nesta coisa.

Minha Primeira Vez

A primeira vez que eu conheci o Mickey, o Superman, Tintim e outros títulos populares da televisão, foi em tiras de banda desenhada e muito mais tarde, quando tive acesso à televisão pude ver os meus super heróis com voz nas telas. Naquela época a minha mãe comprava estes livros nas bancas da rua, eram livros usados vindos de outros países, e quase todos tinham alguma coisa escrita à caneta lá. Mas isso não me interessava muito… Eu já folheava revistas de banda desenhada antes mesmo de saber ler, a minha mãe e os meus irmãos liam para mim algumas vezes, mas foi com 6 anos que eu li a minha primeira história em quadradinhos sozinho, era uma edição especial da Mafalda do cartoonista Quino, eu achei os desenhos tão engraçados quem nem dei importância para o facto de eu não ter entendido a história. E dali em diante comecei a vasculhar livros da estante de casa à procura de coisa parecida (muitos dos livros de autores de portugal), foi nessa procura que eu encontrei algumas tiras isoladas do TimTim e vários personagens da Disney, que eram sempre usados como exemplos de alguma coisa.

Nos anos seguintes aprendi na escola um pouco mais sobre banda desenhada e ao mesmo tempo começava a ler uma revista mensal chamada Audácia, que foi a responsável pela minha grande paixão pelas BD. A revista apresentava em cada edição, duas a 3 séries de banda desenhada para adolescentes. Eu acompanhei a revista até decidir explorar outros mundos. A maior parte dos títulos que conheci nos anos seguintes eram de revistas emprestadas por pessoas que tinham quedas pela banda desenhada como eu.

Mafenha

Ler banda desenha para mim sempre foi melhor do que qualquer filme ou desenho animado, aquilo era tão excitante que eu era capaz de ficar horas e horas só a ler aquelas histórias intrigantes sem comer nada, mas nenhuma alegria anterior foi maior do que quando eu conheci Mafenha, um clássico do cartoonista moçambicano Sérgio Zimba. O simples facto de ser uma de um moçambicano já tornava a obra especial e superior a todas as outras. Eu já acompanhava as tiras do Zimba no jornal e mergulhava no rio de lágrimas das minhas gargalhadas, a crítica social quase passa despercebida com caricaturas e humor de Mafenha.

Tira de Mafenha
Tira de Mafenha (Sérgio Zimba)

Mafenha foi a primeira e a única obra moçambicana próxima à banda desenhada que eu li. É verdade que ela não trás nenhuma grande história e nem revolucionou nada, mas será sempre lembrada por mim como uma boa tentativa de valorização da arte do lapis. Mas nada de moçambique mereceu minha atenção até hoje. Nenhum artista teve a coragem de lançar mais nada parecido. Só vejo banda desenhada nas revistas sobre HIV…

Tudo o que há em banda desenha nacional é para rir. Eu sonho um dia em ler histórias que me façam pensar como Watchmen de Allan Moore, ou simplesmente rebeldia como em Preacher de Garth Enis,  super herói como o nosso querido Batman ou uma turma maluca como a do Maurício de Souza. Alguém conhece algum vilão criado por um moçambicano?

E se você é artista e deseja expor a sua obra aqui, nós ficaremos muito felizes em recebe-lo!

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