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Uma breve reflexão sobre a (língua)gem e a crítica na cultura Hip-Hop

À esquerda Kanino Famélico e à direita Drakhulah (Hassassin) no África Bar

Sobre a (língua)gem e a crítica na cultura Hip-Hop

Em Moçambique, a cultura Hip-Hop  constitui uma força para a afirmação e a inserção da juventude numa sociedade em constante mutação. Nos últimos tempos, houve evolução ao nível de produção de instrumentais e de escrita, todavia, neste segundo ponto há lentidão. Existem várias formas de melhorar a qualidade musical. Apresento-vos duas:

A Revisão Linguística

Emídio Massacola (Nigga Shar), finalista em Licenciatura em Linguística na Universidade Eduardo Mondlane, rapper, produtor, instrumentista, apresentador do programa Casa II, na Politécnica Rádio, em 97.10 FM, aos sábados, das 12h–14h, falou muito bem sobre esta questão (a urgência de análise e reanálises técnicas dos textos das músicas, especialmente, RAP). Isto aconteceu no ano passado, em um dos debates organizado por Hélder Leonel, apresentador do programa Clássico Hip–Hop Time, e o núcleo de Hip–Hop Siderurgia.

É necessário entregarmos os nossos textos aos revisores linguísticos, preferencialmente, aos que entendem o estilo musical, pois, o artista expressa seus sentimentos e ideias em um papel através de um sistema de escrita pouco dominado por nós. Os dominadores da matéria podem colaborar com artistas que tenham projetos claros e coesos; e trabalhar em estúdios credíveis (com qualidade e profissionalismo dos recursos humanos).

A condição para seguir essas idéias reside no isolamento das fortes correntes da arrogância, orgulho, inveja e muitos outros sentimentos ou manifestações que, durante um considerável par de anos, estiveram por detrás da estagnação do RAP.

As críticas

No que concerne às críticas, apelo aos críticos e aos criticados: 1 – Aos críticos: façam o vosso trabalho! A crítica deve existir para melhorar a arte. Sem ela sujeitamo-nos a hibernar na incoerência, na mediocridade e em terminar totalmente excluídos das diferentes esferas da arte em Moçambique. Para além das críticas, são também bem-vindas as sugestões ou propostas claras e coerentes para o desenvolvimento dos artistas. 2 – Aos criticados: queridos camaradas da arte! De coração aberto e dispostos a crescer, miremos as críticas como desafios, não como ameaças! Elas só são ameaças na ausência de argumentos capazes de suportar o que dizemos e/ou fazemos. Ninguém gosta de receber críticas, mas reconhecer os erros não é sinónimo de fraqueza.

A música RAP dá dinheiro e vemos alguns rappers beneficiados. Embora incipientes, os benefícios são sinais de evolução. O nosso país, à semelhança de muitos outros do continente, e do terceiro mundo em geral, apresenta maior percentagem de juventude, a máquina produtiva. Há jovens instruídos desde o  ensino médio ao universitário (licenciados e mestres). Alguns fazem RAP, outros têm outras atividades económicas e outros trabalham em instituições estaduais e privadas.

Companheiros! Precisamos de fortalecer a união; trocar experiências; reconhecer os trabalhos muito bem elaborados. Isto vale e valerá muito, mas muito mesmo! Tenho a crença e determinação.

Autor: Kanino Famélico.

Para baixar música de Kanino Famélico clique aqui.

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