Moçambique Carta ao Sílvio de Jesus

Carta ao Sílvio de Jesus

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Sílvio, antes de mais nada, permita que me apresente, quem te escreve é o Chil, mas o Chil tem uma outra personalidade, esse alguém é o Emerson David Chiloveque. Tenho apenas 25 anos de idade e, confesso, sou um jovem com muita história por contar, a muito que venho vivendo intensamente… É nesse aspecto que eu desejo tocar, a intensidade da vida, meu irmão, a porra da intensidade da vida! Julgo que ambos temos algo em comum, o gostar de um bom porre, gostar de copo! Acho que eu tive o meu primeiro porre aos meus 15 ou 14 anos de idade, sim, meu irmão, muito cedo para um fígado tão novo. Com essa idade eu já desafiava, juntamente com amigos meus da infância, as garrafas de Gin! A malta associava umas tantas moedas retiradas dos nossos “cofrinhos” e, pronto, o “Star “(mercado do estrela), estava sempre aberto para quem quisesse adquirir “veneno”, não importava a idade, o dinheiro falava muito mais alto.

Desta maneira, repetidas vezes estive naquele local para adquirir à bebidas alcoólicas, creio que a última vez em que lá estive, foi há quatro anos atrás… Pois é, desde o meu primeiro porre aos 14 anos de idade até hoje em que tenho 25, o gosto pelo álcool foi aumentado. Eu não importo, eu adoro beber até perder as estribeiras, acordar com a boca amargar e não me lembrar sequer como cheguei à casa… Epah, é a minha sina, percebes? Dizia a minha saudosa avó Sara: “Namuntlha, hinkwaswo swa dlaya” (hoje em dia, tudo mata). E com razão, sempre concordei com a velha. Desta maneira, visto que não tenho nenhum outro vício, no verdadeiro sentido, acho que me perderei pelo álcool… Não estou de forma alguma lhe encorajando para que sigas os meus passos, não, meu irmão, nem em sonhos. O que quero dizer é que, a decisão de optar por seguir tal rumo, tem de ser forte e bem pensada, pois como tudo nesta vida, o álcool tem os seus efeitos colaterais que, cedo ou tarde, se manifestam psico e fisicamente!

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Quando pegamos num copo com álcool e o ingerimos até ao ponto de não nos reconhecermos como pessoas, não só estamos destruindo a nossa saúde, mas também aos corações de todos aqueles que bem nos querem. Desta maneira, é bom que tenhamos limites, é sempre bom saber moderar… Assim devia ser, confesso-te, meu irmão, venho me debatendo com o presente assunto até ao exacto momento em que lhe escrevo estas linhas. Não quero parecer hipócrita!

Enfim, não lhe escrevi para falar de mim, a intenção é lhe mostrar que você não é o único passando pelo que vem passando e, sendo uma figura pública (Sei que és apresentador de Tv ), os teus escândalos, através de pessoas de má fé , vem rapidamente ao de cima, e já lá vão dois, meu caro! Por esse motivo, nas linhas acima eu lhe disse que há que ter cuidado, pois quando ingerimos álcool não só nos auto destruímos, mas também aos corações das pessoas que bem nos querem. Irmão, não lhe quero puxar as orelhas e nem lhe ralhar, apenas lhe alertar para o perigo iminente ao qual estás constantemente exposto de cada vez que decides ter um porre. Mano, por duas vezes foste vítima de uma exposição suja, perpetrada por pessoas de maldosas com quem imbecilmente te relacionas. E isso é coisa que não entendo oh Sílvio, a primeira é normal, foi um deslize e tal e é compreensível mas, e desta vez, o que você dirá para defender a sua imagem que tão custosamente tens lapidado, e imbecilmente manchado? Qual será a desculpa desta vez, meu caro, o que você dirá para se defender daquelas imagens tristes e, até certo ponto, cómicas…

Sim, meu irmão, foi meio engraçado, embora triste, eu, em toda minha paulada, jamais me passou pela cabeça pernoitar por de cima de blocos, jamais! Será que tendes sonhado em ser eng. de construção civil, ou andas a sonhar com a casa própria? Enfim, mas isso são coisas da paulada, jamais dormi por de cima de blocos, mas já falei e fiz muita porcaria que não vale a pena cá expor…

Irmão, a primeira vez em que vi fotos do género pelas redes sociais e não só, fiquei triste mas compreendi, todo ser humano tem derrames… Pelo que vi, foram várias as pessoas que saíram em tua defesa, deixaram mensagens de consolo e votos de confiança. Tanto que após perderes ao teu posto na TIM, foste perdoado e triunfalmente pudeste recupera-lo para desempenhar o que tão habilmente fazes, apresentar! A isso chama-se superação…

Mas, meia volta, dou de cara, novamente, com fotos aparentemente semelhantes às anteriores… E fiquei tipo “Oh”, mas que merda, o que dirá agora?”. Não sei se me faço entender, senti-me traído! E acredito que foram várias pessoas que se manifestaram de igual maneira ante tais imagens, você traiu a confiança de todos aqueles que cegamente confiaram em si, anteriormente! Não há desculpa possível meu irmão, estás mesmo “lixado” e acho que está mais do que na hora de pensar seriamente em se divorciar do copo, ou ter um relacionamento diplomático que não prejudique ambas partes. E, acima de tudo, e’ hora de rever a pente fino, olho clínico, as pessoas com quem te relacionas…

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Diga-me algo, oh Sílvio, achas correcto que, após uma sessão de copos, risos, conversa fiada e tal, os teus ditos amigos lhe deixem dormindo ao pé de uma lixeira ou por de cima de blocos e, ainda por cima, porcamente, façam retratos teus de tais episódios? Sinceramente Sílvio, com amigos desses, quem precisa de inimigos? E mesmo que precisasse, que inimigo conseguiria superar a tal nível de baixeza? Somente o próprio diabo… Tenho a plena certeza que, das duas vezes em que os teus porres se tornaram públicos, se estivesses com gente bem educada e de bom carácter, nada daquilo teria acontecido, quanto muito a inevitável ressaca que provavelmente sentiste. E então? Desejas continuar andando com essa laia de marginais e ser constantemente exposto de tal maneira, ou ter os teus porres numa boa, mas sem que sejam revelados ao povo Moçambicano que , atentamente tem os olhos em ti?

Há que reflectir seriamente, meu irmão, você esta fazendo “coisas de vergonha” como se diz nesse país que amamos, Moçambique! País que lhe tem como uma das suas caras mais promissoras de sua Tv, irmão, sentes o peso da responsabilidade? Tu, mais do que um “Zé Ninguém Chiloveque” como eu, carregas ao peso da fama, nas costas! Não te podes te dar ao luxo de agir desparatadamente como tendes feito, beber e ir parar a lixeiras e blocos e, no dia seguinte , ter a cara de pau de dizer em directo “Jovens, bebam com moderação, juízo”, em plena Tv, isso são coisas de vergonha, pah!

Sem mais nada por dizer me despeço, caro Sílvio, na esperança de que leias a estas linhas e que mudes de atitude, já agora, muita sorte para que consigas manter o teu emprego (isso se não o tiveres perdido) e, só mais uma observação, enquanto estiveres a ter porres do género, beba muita água. Faz bem hidratar o corpo…

Mas eu te entendo pah, porra, eu entendo…

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Emerson David de A. Chiloveque, 24 anos de idade, nacionalidade moçambicana. Estuda Relações Internacionais e História, em Tula, Rússia. Assumiu-se escritor amador há 2 anos. Chil escreve contos, crónicas e artigos para jornais e blogs. Enamorado pela arte, Chil encontrou na escrita a paz que precisa para contribuir para o desenvolvimento e enriquecimento cultural da humanidade.

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