Textos Reflexão Comemorando o dia da Independência em meio à Guerra

Comemorando o dia da Independência em meio à Guerra

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Estava eu a pensar no que poderia escrever para os leitores do Moz Maníacos nesta semana. Pensei, pensei e pensei… (costumam dizer que quando penso muito estrago tudo XD) até que concluí que queria falar do dia da independência e de algumas confusões que andam acontecendo por aqui. Eu não gosto nada de política, não me meto em política mas vamos lá falar do dia da independência e dos ataques que estão a acontecer na zona centro do país.

Passam exactamente 38 anos depois da independência, devíamos estar todos felizes, a comemorar a tão esperada expulsão dos colonos portugueses. Pronto, estamos livres e eis que inicia a guerra civil, mais conhecida por guerra dos 16 anos. Os que viveram essa guerra (mesmo eu que não vivi percebi que fez estragos de verdade), dizem que antes dela, o país já prosperava e demonstrava grandes sinais de desenvolvimento, mas a famosa guerra acabou com tudo.

Mais uma vez, os confrontos cessaram, vivemos “pendurados” por algum tempo, a maior parte do povo com menos de um dólar por dia. Mas, quando tudo parece que as feridas começavam a cicatrizar e o crescimento bate à porta – descobrem-se poços de petróleo, gás, carvão mineral e diversos recursos naturais… eis que surge a Renamo em forma de guerrilha a causar terror a tudo e todos.

Uma pergunta que surge em mim e noutros:

Nós (povo) temos algum grau de parentesco com os governantes contra quem lutam?

Vou justificar o porque da questão. É simples, até agora só estão a atacar pessoas inocentes, desde os militares até as pessoas particulares que passam por aquelas vias.

Vitima da Renamo
Vitima de Ataques

Querem fazer guerra? Ou dividir o país? Podem até estar descontentes, mas em momento algum se pode aceitar que pessoas inocentes morram sem necessidade. Que filhos fiquem sem pai ou mãe porque um grupo entendeu que devia ceifar a vida alguém. Que uma família fique sem meios de sustento porque alguém queimou o seu ganha-pão (carros, camiões, entre outros tipos de transportes).

Os jornais, a televisão, rádio, entre outros meios apontam para um número significativo de mortos e feridos e danos materiais avultados e cá para mim, não havia necessidade disso.

Está a acontecer um “diálogo” desde o final do ano passado, mas não se chegou a nenhum entendimento e dá a impressão de estarem a sabotar-se e enquanto isso, pessoas inocentes perdem vidas, diga-se mais uma vez, sem necessidade nenhuma. É uma daquelas situações que se poderíamos evitar.

Agora me ocorre mais duas perguntas.

O que vamos festejar no dia da independência?

Onde estão as pessoas que representam o povo a estas alturas?

Muito simples, sempre aparecem de longe a dizer que lamentam, que repudiam o que está a acontecer, mais nada. Tudo continua na mesma. Os guerrilheiros da Renamo vão actuando e nós estamos cada vez mais apavorados.

Devíamos estar radiantes pela comemoração dos 38 anos da independência. Era mais um ano rumo a tão esperada independência financeira (ou económica), mas não. Estamos a regredir mais uma vez. Será que não podemos sair dessa situação e ser como um povo normal? E, para os guerrilheiros da Renamo, por favor, procurem pessoas responsáveis pelo povo para atormentar e nos deixem viver (a nossa vidinha triste) mas em paz.

Acho que falei demais. Fui.

Guerra e Paz em Moçambique

Profile photo of Vanda Mahumane
Colaboradora do portal de 2011 a 2013. Escrevo sobre Moçambique e sobre os moçambicanos.

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3 COMENTÁRIOS

  1. O diálogo tem que vir acompanhado das ações. Essas pessoas que detêm o poder e chegam a uma situação como essa, não têm o mínimo de amor pelo seu povo, deixam os interesses pessoais e econômicos falarem mais alto….moro no BRASIL e vou começar uma campanha como as que estão fazendo aí, para alertar o maior número de pessoas possível….GUERRA NÃO, QUEREMOS PAZ….

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