Coisas de Moçambique E a questão da mendicidade nas nossas avenidas…

E a questão da mendicidade nas nossas avenidas…

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Nos últimos anos verifica-se uma” proliferação” de mendigos nas estradas e ruas da cidade de Maputo. O mais triste de tudo é que algumas dessas pessoas tem todas as condições necessárias para trabalhar.

Houveram tempos em que mendigos era pessoas deficientes, acredito que por se encontrarem naquele estado eles próprios já se discriminavam e por isso acabavam nas ruas, mas os actuais mendigos da cidade de Maputo são bem diferentes.

Para o caso dos mais jovens que aparecem rotos pelas avenidas, acredito que é para não olhá-los duas vezes e dar-lhes o que querem. E 30 minutos depois encontramos a mesma pessoa numa outra esquina.

Já as mamanas, essas só levam os seus bebés ao colo e pronto. É incrível como esses bebés choram. Já ouvi uma estória por ai, segundo a qual aquelas senhoras vivem arranhando aquelas criancinhas, coitadinhas. Por isso, elas estão sempre a chorar. A outra opção, pode ser não lhes dar o peito que é mesmo para conseguir algum dinheiro.

Um terceiro grupo é o dos inocentes. As crianças. Acreditem se quiserem mas por aqui existem pais corajosos que mandam os seus filhos para a rua para pedir esmola, algumas delas saem com uniformes escolares e pronto. Lá vão. Um dos pontos preferidos é a baixa da cidade. Outros são aquelas zonas “chiques”.

mendigos-maputo

Mas também existem aquelas crianças que fogem dos orfanatos para viver na rua, alegadamente porque lá são controladas demais e não conseguem ter os valores que arrecadam nas ruas para comprar as suas coisinhas. É triste o facto de ver meninos de tenra idade preferirem trocar escola, cama, comida por alguns trocados que conseguem na rua.

É verdade que em Moçambique não há grandes orfanatos, asilos e outras casas que possam acolher essas pessoas. E as existentes não oferecem grandes condições para isso, mas acredito que se eles aceitassem já era um passo para que se melhorem as condições criadas naqueles lugares.

Ainda nem falei dos velhinhos. Ou melhor, velhinhas. A maior parte dos mendigos em idade bem avançada (pode ser ilusão de óptica ou que não tenha feito bem os cálculos) são velhinhas. O mais triste nisso tudo, é que boa parte delas tem filhos, netos até bisnetos. E se procurar saber os motivos que as levaram a sair de casa vai descobrir que é sempre o mesmo. Foram acusadas de feitiçaria (este facto vou retratar oportunamente, mas acusar a pessoa que lhe deu a vida de feiticeira é o cúmulo, isso é muito comum em Moçambique e são aqueles filhos que hoje são doutores que acusam as mães de feitiçaria).

Mas também existem  formas mais “chiques” de ser mendigo. Quem vive em Maputo e anda nas zonas da Baixa, Avenida Eduardo Mondlane e arredores certamente já encontrou alguma senhora super bem vestida e limpa, a pedir dinheiro em nome de supostas crianças que ela ajuda.

É uma senhora que pode trabalhar, tem todas as condições criadas, no verdadeiro sentido da palavra, mas circula durante o dia todo e pede dez meticais. Eu cai na armadilha dela uma vez. Não a conhecia ela abordou-me e lá fui (inocente, diga-se de passagem) ajudei as “crianças”, mas todas as pessoas que estavam perto começaram a rir. Parva, perguntei o que se passava. A resposta foi: “anda mais um pouco vais encontrar a senhora e vai te abordar de novo”.

Lá fui ao serviço e de novo na zona da 25 de Setembro encontro-me com ela e pede dinheiro de novo. Ora essa, ela podia fixar as caras que lhe dão nesse dia. Para não cometer o mesmo erro.

Está dito…

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