Moçambique Reflectindo Sobre Nossa Música e Nossos Shows

Reflectindo Sobre Nossa Música e Nossos Shows

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O que me levou a escrever este artigo foi uma publicação que uma amiga minha fez, uma rede social, sobre a exclusão dos artistas Moçambicanos no espectáculo de Zouk em Angola.
Tudo bem que nenhum organizador de espectáculos é obrigado a incluir quem ele acha que não terá impacto nenhum no concerto que pretende realizar, mas haja consideração! Pelo que ouvi dizer, o “Le Grand Méchant Zouk” (evento que está a decorrer em Luanda) tem como objectivo, dar oportunidade aos músicos locais (Angolanos) de trocar experiências e contactar músicos Antilhanos que são grandes nomes do Zouk. Bela iniciativa para quem está cuidando do seu “quintal” Ok. Mas, recentemente, houve algo semelhante em Moçambique e alguns cantores Angolanos passearam a sua classe entre os nossos humildes palcos. E o povo vibrou, se emocionou com tais actuações, tanto que foi inesquecivel. O evento que foi realizado pelos nossos produtores, marcou gerações, para todo o sempre!
Va Makwero “irmãos”, volta e meia, o nosso camarada faz festa e não convida? Algo não está bem aqui, porque será? Não temos qualidade para nos apresentarmos diante de tal público? O nosso irmão Valdemiro José não poderia encantar os camaradas Mangoles e o resto do mundo? E a nossa mana Júlia Duarte? Entre tantos outros, que tanto tem para dar, mas a quem não são concedidas oportunidades e dados votos de confiança. Sinceramente falando, não me importa tanto o que eles fazem ou deixam de fazer. O que pretendo fazer entender, é que devemos pôr a mão na consciência e passar a olhar mais para o que é nosso e o que é feito pelos nossos!
Até quando, os promotores de eventos vão recorrer a artistas estrangeiros para poder encher os seus concertos? Já não existe talento em Moçambique? O Madala Mpfumo já não inspira ninguém? Xidimingwana também não?
Os promotores de eventos estão mais interessados em lucrar. Querem lá saber se a nossa cultura está em queda livre, rumo ao esquecimento. Esquecendo que eles, antes de serem organizadores de tais eventos, são Moçambicanos!
Que se sentem com os nossos artistas, e debatam sobre o que está mal. Porque os concertos dos cantores estrangeiros são mais concorridos que os dos nossos manos da Pérola!? O que está acontecendo de errado? Porque acho que, eu e mais pessoas, estamos fartos de ser humilhados de tal maneira. Os músicos que idolatramos quando vêm à nossa terra, são os primeiros a mandarem o nosso nome para o esquecimento. Moçambique virou “El dourado”para os músicos Angolanos. De cinco em cinco minutos as nossas estações de rádio passam músicas angolanas.
Falei a respeito disso com um amigo meu, músico, residente em Angola e ele disse-me o seguinte: “Bro, aqui não se passa nada meu, música Moçambicana passa de meses a meses, e com muita sorte”
Mas volta e meia organizamos concertos e lá vêm eles “chão,chão, chão”, Moçambicano está a vibrar !!!
Por outro lado, os nossos cantores então!? he he isto é mais confuso que tudo. O que se passa? Afinal, quem canta o quê? Porque, se eu quiser escutar Kuduro, melhor escutar de um artista Angolano, porque sabem fazer e o fazem com mestria.
A nossa Mana Lizha James estava levantando vários de nós para as pistas de dança com “Nuna wa mina, xitilo xa kale”… o nosso mano Ziqo, acompanhado do legendário Danny OG, lotavam o coconuts só “BOMBANDO” Pandza, “ninguém se sentava”. Mas ultimamente, mal os vejo na midia. Lizha James vem com HOUSE…hummmmmmmmm, você!? Quer competir com Dj Cleo Mesmo!?? Vai pensar um pouco mana!!! Zico vem com umas brancas dele (as meninas não renderam nada com isto) Denny Og, já nem sei por onde anda, mas faz muita falta. E outros mais que andam com a inspiração à “VELA” . Para onde sopra o vento, para lá vão, não têm destino algum, são guiados pelos desejos do acaso, não desafiam as dificuldades, conformam-se, corrompem-se… e ajudam os nossos sons a caírem nas malhas do esquecimento. Mas nada está perdido. Ainda vamos a tempo de lutarmos para levar o nosso Pandza, Dzukuta, Marrabenta, Hip Hop.. a um nível invejado mundialmente. Se os outros ritmos tão consumidos por nós, estão no nível em que estão, é porque foram duramente trabalhados durante longos anos. Enfrentaram momentos de crise e superaram. Então, porque não fazermos o mesmo?
E nós, os consumidores, devemos incluir em nós, o hábito de comprar um CD ORIGINAL, dos nossos cantores, afinal de contas, trata-se do trabalho deles. Já chega de maquetes entre as ruas, Dj’s que nos fazem vibrar com discos piratas, pois há alguém gastando neurónios para nos agradar.
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Emerson David de A. Chiloveque, 24 anos de idade, nacionalidade moçambicana. Estuda Relações Internacionais e História, em Tula, Rússia. Assumiu-se escritor amador há 2 anos. Chil escreve contos, crónicas e artigos para jornais e blogs. Enamorado pela arte, Chil encontrou na escrita a paz que precisa para contribuir para o desenvolvimento e enriquecimento cultural da humanidade.

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