Dilon Djindji sem fundos para a "Digressão Marracuene"

Dilon Djindji sem fundos para a “Digressão Marracuene”

O músico Dilon Djindji, um dos mais representativos da Marrabenta em Moçambique, está à procura de fundos para realizar uma digressão em Marracuene, sua terra natal, como forma de agradecer o apoio que lhe tem sido prestado pelos habitantes daquele distrito da província de Maputo.

Depois de não ter conseguido realizar a “Digressão Marrabenta” que tinha sido agendada para o ano passado nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica, e Tete por falta de patrocínios, o músico disse que pretende agora cantar para o povo da sua terra.

Em conversa com o Jornal Noticias, Dilon Djindji, que amanhã completa 87 anos de vida e 71 anos de carreira, disse que vai partilhar a sua experiência e vitórias alcançadas com aqueles que o viram crescer e serviram de estímulo para que abraçasse a carreira artística.

“É uma forma de dizer muito obrigado a este povo que sempre me acarinhou em todos os momentos da minha vida”, diz o músico.

Entretanto, Dilon Djindji afirma que ainda não tem fundos para executar a digressão que tinha sido marcada para o início deste mês na vila-sede de Marracuene e nas localidades de Matalane, Michafutene, Thaula, Nagalunde, Macaneta e Machubo, apesar de ter enviado cartas de pedido de apoio a algumas instituições.

“No ano passado prepararei uma digressão por algumas províncias do país para promover a Marrabenta mas não consegui porque não tive apoio. Este ano decidi fazer uma pequena excursão pelo meu distrito mas ainda não me foi dada nenhuma resposta positiva”, lamenta Dilon Djindji.

Segundo nos informou o artista, caso aconteça, a digressão irá culminar com o lançamento da primeira pedra da construção do Centro Cultural Dilon Djindji a ser erguido no distrito de Marracuene.

O centro que é  uma iniciativa do músico, compreenderá uma escola de música, galeria de arte, biblioteca, estúdio de gravação, e vai promover actividades de carácter educativo-cultural, para a preservação da cultura moçambicana nas suas várias vertentes.

Ao longo da sua carreira, Dilon Djindji encantou o público com os seus temas que retratam o amor e as relações humanas, como são os casos das músicas “Maria Teresa”, “Angelina”, “Achitlamwana”, “Maria Rosa”, “Hilwe wa Santi”, entre outras.

Pelo seu contributo na promoção e desenvolvimento das artes e cultura moçambicana foi destacado por menções honrosas pelo Ministério da Cultura que incluem a Medalha de Mérito Artes e Letras, Prémio Carreira atribuído pelo 6.º Festival Internacional de Publicidade, realizado pela Associação Moçambicana de Empresas de Publicidade (AMEP) e uma Menção Honrosa atribuída pelo Governo do Distrito de Marracuene.

Dilon Ddjindji, compositor, coreógrafo e bailarino, nasceu a 14 de Agosto de 1927 em Marracuene. Aos 12 anos construiu com base numa lata de azeite a sua primeira guitarra, com apenas três cordas. Três anos depois teve a sua primeira guitarra “a sério”, com a qual começou a tocar estilos musicais tais como “dzukuta” e “madjica” em casamentos e festas particulares.

Criou a sua primeira banda, a “Estrela de Marracuene”, em 1960, tendo gravado o seu primeiro disco, intitulado “Xiguindlana”, em 1973, através da editora Produções 1001.

Na véspera de completar 87 anos, continua a ser uma figura incontornável no panorama artístico nacional.