Carta para as minhas queridas amantes

Carta para as minhas queridas amantes

Eu sei que esta é a época festiva mais esperada do ano, e para ser igual aos demais, deveria estar nos coros de: Desejo-Vos Um Feliz Natal E Próspero 2014, mas não, essa não é razão de eu vos falar em escrita descuidadosa (o meu relato poderá ofender personalidades, mas essa não é a intenção original do acto)! As minhas angústias e preocupações são outras: ADEUS MINHAS AMADAS AMANTES – espero que tenham tido o melhor de mim, pois eu tive o melhor de vós, pelo menos no que procurava.

À minha mulher chora, chorou, e muito, eu devo-lha respeito, pois: a prometi fidelidade, mas na verdade só fiz e dei-la o contrário das minhas promessas. Eu sei que ela me ama, mas isso não é o suficiente, nunca nada é suficiente, para mim. Eu queria me sentir o tal, o dono delas “como se pudesse acabar todas as mulheres…como se pudesse ter todas elas! EU SOU UM PARVO, UM INFIEL…

A minha mulher é boa demais para mim – talvez seja isso que me faça andar tanto fora, correndo os riscos que corri (e até trouxe gonorreia para casa, mas, mesmo assim, ela não me abandonou, não pediu à separação, apenas fez um drama, básico, mas no fim me perdoou (Achas que nós nunca fomos traídas? Achas que os casamentos são perfeitos? Segura teu homem, mulher, e não o dês de bandeja à essas putas, à essas vagabundas dele – alguém lhe deu esse conselho! Não sei porquê, mas ela ouviu, o conselho, e segui-me, fez da minha loucura a sua cruzada), pois achava que a culpa do meu comportamento era ela o dela. Mas como culpa dela!? Ela faz tudo o que eu quero, como eu quero, mas o contrario não acontece.

Eu sei, em de cor, quais são os riscos do meu comportamento de risco, e da minha infidelidade. Eu sei que existe o VIH-SIDA, eu sei como me prevenir mas, comportava-me como um atípico patético super-homem, com o estilo machão, mas no fundo uma criança mal compreendida que brinca com tudo, e todos, pois não sabe dar valor à nada – ADEUS MINHAS AMANTES, MAS AGORA BASTA…

Eu lembro-me das madrugadas que passei nas bebedeiras, na boémia – tentavas ligar para mim, eu nem estava ai, não atendia – várias vezes vi a tua almofada molhada de lágrimas, mas de manhã preparavas um muchuchu para à minha ressaca e para atiçar o meu escárnio pelo seu zelo e atenção, para comigo. Ela dedica-me um amor sem igual, desde muito, mas o mesmo não digo da nossa filha (que confesso que amei-la menos do que a amaria se fosse um rapaz, eu queria um rapaz, meu filho!).
À nossa filha, nem me admira – eu sei – pois vê que faço sofrer à sua mãe e de desgosto, desgasto à nossa família.

No último mês, ela foi diagnosticada tensão alta, decerto é pelos choros que lhe causei, ora por: mexer no meu whatsApp e ver fotos obscenas das minhas “vacas” – como as chamavas (e eu era o rei do gado), ora pelos perfumes estranhos na minha roupa, o batom nas minhas camisas, os chupões no meu pescoço, as chamadas no meio da noite, e a tanga que encontrou no meu bolso, quando lavava à minha roupa, antes de ir queixar-se à minha mãe (“Minha filha, paciência ganha vitoria!” – a minha mãe amava essa sentença, mas ela não tinha muita saída, a idade já era avançada, mas à minha mulher é jovem, e linda, e está a envelhecer precocemente, pelos meus maus tratos).

Eu disse: que ia mudar, quando à minha mãe chamou-me, e deu-me um puxão de orelhas, mas “malandro não muda, dá um tempo”. Não obstante, no fundo, queria quebrar essa ideia da diáspora, mas o meu querer não era forte quanto à tentação das amantes, pois elas não eram burras: eu as levava aos hotéis, aos jantares, eu amava essa vida; e elas faziam os ménage à trois, e outras loucuras…

Mas hoje, pelo menos, consegui dizer com certeza do que quero, a elas: ADEUS AS MINHAS AMANTES! Todavia, quando cheguei à casa, com flores e bombons, para lhe pedir desculpas, por tudo, encontrei, na sala um bilhete que dizia: ADEUS MEU MARIDO, SEJA FELIZ COM AS SUAS AMANTES!

Sou Cremildo Fernando Eduardo Magaiza, com 24 anos de idade, nascido na Cidade da Matola, Província de Maputo, licenciado pelo Curso de Comércio - pela Universidade Eduardo Mondlane, e aspirante a escritor. O género literal pelo qual me identifico é a Prosa, o Romance, e tenho como inspiração o Irving Wallace, o Ungulane Ba ka Khosa, o Mia couto, e o Paulo Coelho.

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