A História do Professor Tomé

A História do Professor Tomé

Relatos de um estudante moçambicano: Parte 2: A História do Professor Tomé

Eu conheci o Professor Tomé quando eu estava na 12ª classe, ele era recém-formado como professor de francês e a minha turma foi a primeira que ele leccionou.

O professor Tomé era muito jovem, estava sempre cheio de energia e entusiasmo durante as aulas, sempre atento e disposto a ajudar os alunos com dificuldades. As minhas colegas sempre tentavam aproximar-se dele mais do que deviam mas ele sempre afastava-se, eu nunca havia visto o professor em conversas suspeitas com alguma aluna – a relação era sempre professor e aluno, apenas.

A relação dele com os outros professores era boa, porém ele nunca era convidado a fazer parte dos grupinhos de bate papo na hora do almoço. Ele estava quase sempre sozinho, esclarecendo alguma dúvida de um aluno, ou então ficava vendo TV na sala dos professores. Ele era uma pessoa muito social mas por algum motivo ele não se misturava com o resto dos professores. Poucas vezes o professor Tomé falava da vida pessoal dele com os alunos, mas lembro que ele já havia dito ser solteiro e que morava sozinho. Ele aparentava ter uns 25 anos, era elegante – parecia-me ter hábitos saudáveis.

A Sara era uma das moças mais bonitas da minha turma, e ela sabia disso. Certo dia ela apareceu na escola vestindo uma micro saia e uma blusa que podia ser confundida com um soutien, foi no dia em que o professor iria ditar as médias de francês. O Mateus, a Ana, a Sara e o Abel, tiveram notas baixas e dependiam da boa vontade do professor para poderem ir ao exame.

Boa parte dos alunos foi embora depois de saber a nota, só ficaram na sala os “alunos com problemas” e alguns curiosos. A Sara já estava preparada para falar com o professor, ela foi até a mesa do professor Tomé e praticamente esfregou os seios na cara do coitado que fazia um tremendo esforço para se concentrar no que ela dizia.

– Stor to a pedir ajuda!

O professor disse algumas coisas que eu não consegui ouvir, mas fizeram com que a Sara voltasse desapontada – dias depois descobri que ela havia chumbado mesmo.

O Abel também foi falar com o professor segurando um envelope, entregou ao professor que depois de ver o conteúdo devolveu ao Abel que voltou com uma cara semelhante a da Sara.

Ana não saiu da cadeira. Embora ela já tivesse problemas a inglês e não pudesse se dar ao luxo de estar em maus lençóis também a Francês. O professor levantou da cadeira e foi ter com a Ana que era uma aluna dedicada e disse.

– Vou dar-te a nota se prometeres que vais passar.

Ela deu um sorriso de alívio e gratidão e tudo que ela conseguiu dizer foi algo como “Ta bem, obrigada professor”.

O Mateus que era um grande amigo meu, também recebeu uma boa notícia por parte do professor. A Ana e o Mateus foram para casa felizes e fazendo planos de estudos para o exame que se aproximava.

Hoje o professor Tomé ainda lecciona na mesma Escola, porém agora ele é bem diferente do professor honesto que conheci, já é convidado aos grupinhos na hora do almoço, tornou-se num grande amigo do Professor Flávio que lhe mostrou como as coisas realmente funcionam, e em quase todos intervalos está com uma aluna bonitinha ao lado. Eu soube que a Sara conseguiu passar com uma nota altíssima no ano seguinte, depois de ter se tornado amiga do professor Tomé com quem vive maritalmente hoje juntamente com seus 3 filhos.

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14 COMENTÁRIOS

  1. Assim acontece com muitos professores. Entram determinados numa direcção própria e acabam se corrompendo!!
    Triste

  2. Eu tb conheco essa estoria na vida real, so q a Sara q eu conheco nao terminam vivendo maritalmente, elas terminam amantes de todos professores,e seropositivas…

  3. Gostei bastant da hstória e achei-a cmo aviso prá mim, vsto q sou prof… Por várias tentações q passamos dvmos nos manter firme e nunca trocarmos a nossa dignidad, respeito e acima d tdo, o nosso carácter, cm algo sem valor.

  4. Realmente o sistema acaba sendo muito mais forte que as pessoas, ao andar do tempo vais perdendo seus princípios devido a esta forca do sistema, poucos e por pouco tempo poderão resistir.

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