A Sátira das Nossas Bebedeiras

A Sátira das Nossas Bebedeiras

A Sátira das Nossas Bebedeiras
A Sátira das Nossas Bebedeiras

“ABANDONAR A BEBEDEIRA É ABANDONAR UM LAR”, é por isso que nunca devemos abandonar um lar, visto que a nossa família vem sempre em primeiro lugar! E, não é?

Então: na sexta-feira sim, no sábado sim, e no domingo também sim; mas é só para matar à ressaca dos dias passados (todavia uma chama a outra, e a outra chama mais uma). O resultado vê-se nas segundas-feiras: as caras amarotadas, os bafos alcoólicos-enjoativos, um completo mal-estar, e desejos marginais por petiscos – segunda-feira não deveria existir. Pois os subordinados andam distantes dos chefes (os chefes bafómetros), para que estes não notem àquele estado de ressaca que é difícil de disfarçar. Mas beber é uma válvula de escape. E decerto que vocês já ouviram às línguas ásperas dos fofoqueiros falando: àquele não bebe, “não fode”, nem fuma, afinal faz o quê? Boa pergunta.

Eu bebo Cerveja, ou Gin, ou Whisky, ou Vodka, ou Sambuca, ou Double Punch, ou ainda Tentação – na verdade eu bebo álcool. Esses são os bêbados “SE ME DÃO”, os que misturam o gás, com a gasolina e/ou com o diesel, porque só querem estar paulados – a isso chama-se bebedeira por objectivo.

As pessoas quando bebem têm vários comportamentos, para além das suas complexidades normais, nisso, há vários grupos e classes de bêbados, porém citando alguns, há:

OS CHORÕES: esses contam os seus segredos para qualquer um – até pagam-te uma rodada, só para lhes escutes. Eles: pedem conselhos, falam dos seus fracassos familiares e conjugais, confessam que são cornos. Mas fingem que não se lembram de nada nos dias seguintes, e nem precisam lembrar.

OS MIJÕES: esses mijam-se nas calças, e cagam-se se puderem – são uma autêntica porcaria. As mulheres e mães, pedem para que parem de beber, mas eles insistem em viver.

OS PEGA-ME-LÁ UMA: esses ratos só saem de casa para pedir, e voltam bem rotos à custos de uma cara-de-pau (a justificação é: está mal, não há boladas e nem caiu o salário). Ignoram o facto de que isso é “vez-vez”, pagas-me hoje que eu amanhã pago-te – cuidado, não tarda que vamos-te fugir.

OS MA PAGA BEM: esses são um show de ostentação, as lambisgóias não aguentam com as notas de 1000 MT e com os posters de “Eu-Eu”. O som alto do V6 é uma discoteca móvel – esses só recolhem as “fast foods” das barracas.

OS VOMITADORES: esses vomitam no carro, na cama, nas tetas, dormem nos vómitos – são um desastre, e ainda deixam o ambiente bem fétido. Saem envergonhados e a justificação é que não haviam comido, ou porque a comida estava tocada, ou ainda porque às misturas lhes fizeram mal – deixa estar, mentira de bêbado é como verdade de um Santo…

OS DANÇARINOS: esses montam coreografias nas pistas de dança, caçam os rabos das meninas, aproveitam-se da contradança e sacam números. São os Animadores das festas, principalmente quando são djecks (pessoa que não é convidada à um folguedo, porém mesmo assim se faz presente), e dão um Show por um prato de feijoada.

OS PAQUERADORES NATOS: esses são os meus predilectos, o grupo que bebe só para tirar vergonha. O álcool é um afrodisíaco, ou uma poção mágica! – sem álcool são uns bocós, uns bundões.

OS BÊBADOS SENHORES DOUTORES – INTELECTUAIS: daqueles que apresentam-se nos moldes: chamo-me “dr. Edson”! Teu nome não é dr., meu Sr.. Esses sim, são um máximo pois: recitam, citam, avaliam o PIB, chamam a publicidade por propaganda, confundem o alho com o bugalho. Ressuscitam Descartes, o Marxismo, e o Fascismo. Enunciam as Leis da Parcimónia. Há vezes que calados dizem mais que nos discursos fanáticos.

OS BÊBADOS MIC TYSON OU BRUCE LEE: estes quando bebem são “punchlines” para todos, partem garrafas, rasgam-se as camisas, mordem-se, lançam socos para a malta, mandam ganchos nas fuças de todos, dão chapadas às mulheres – essa é a escória, um desrespeito à classe das bebedeiras. Mas elas não ficam atrás, puxam-se as mechas, os cabelos importados, mostram-nos as calcinhas, só fazem coisas de vergonha…

OS BÊBADOS VITZ, os modelos de baixo consumo: quando saíres com estes, que eles sejam os primeiros a pagarem as rodadas, pois em poucos minutos estão a dormir nas mesas dos bares, nas casas de banho, ou em qualquer local. Esses irritam-me pois sempre querem ser contados o que fizeram, mesmo se não fizeram nada, para além de dormir em plena bebedeira. A justificação é sempre plausível: estava a voltar do job, estava partido….

Os SPEED RACER: esses queimam borracha, afogam-se na marginal, fogem da polícia, batem em tudo, destroem vidas, não há pior espécie – tenham cuidado Sr. Altezza, Sr, e Mark II (todos), as estradas não são vossas…

Há os que bebem porque está na moda; outros porque estavam estressados com o teste na escola; outros porque têm complexos. A bebida é ingerida com vários propósitos.
– Parei de beber!
– Há quanto tempo?
– Desde o final de semana passado!
Não minta, o álcool é coisa seria.

Mas há quem o abandona pois o álcool destrói famílias, relações e, principalmente à nossa juventude. Não só: o álcool trás muitos males, também, principalmente quando misturado com o sexo, com o volante, ou com fumo. Essas misturas só acabam em tragédia – repousem na magnificente paz celestial, todas às almas que essas misturas dissiparam às vidas.

Há uma classe emergente e com bastante sucesso, essa é à das mulheres Mabaraquene. Uma nova sensação das noites. Bebem mana-a-mana, como se fossem homens. São: lindas, meigas, barrigudas, escandalosas, e barraqueiras. Levam a vida na esportiva, muitas delas são cultas, mulheres que admiro; outras são barraqueiras/discotequeiras bem escandalosas, com a maquiagem horrível, e um bafo de bode. Um pequeno subgrupo delas empurra à 2M de um jeito profissional, mas no fim da noite são obrigadas à apanhar as moedas. E assim a vida corre, também aquilo não bebe água e não come peixe, não é?!

O álcool pode ser visto de diferentes maneiras: pelo comportamento que gera depois do seu consumo ou pela forma que é consumida. Ele faz bem em boas dosagem, recomenda-se, mas tudo que é excedido trás consigo repercussões negativas. Nisso, o primeiro gole geralmente é o mais amargo, para os aprendizes; porém o primeiro copo trás grande satisfação para os mais experientes (“princípio marginalista: este principio económico estatui que a satisfação reduz quando são consumidas unidades marginais de um determinado bem”).

Se bebes, fazes parte de um desses grupos, ou conheces alguém com esse comportamento!

Sou Cremildo Fernando Eduardo Magaiza, com 24 anos de idade, nascido na Cidade da Matola, Província de Maputo, licenciado pelo Curso de Comércio - pela Universidade Eduardo Mondlane, e aspirante a escritor. O género literal pelo qual me identifico é a Prosa, o Romance, e tenho como inspiração o Irving Wallace, o Ungulane Ba ka Khosa, o Mia couto, e o Paulo Coelho.

8 COMENTÁRIOS

    • Caríssimo Calisto, pela sua idade acredito que ja terá ouvido uma cancão nacional, e em changana , se não estou em erro, que afirma que: abandonar a bebida eh abandonar um lar, e eh nessa senda que começo o testo citando o mesmo excerto.

      podemos discutir, partindo desse ponto!

      mas grato pelo comentário.

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