Textos Reflexão Moçambique e a Onda do Swag

Moçambique e a Onda do Swag

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Desta vez venho falar de um fenómeno que já vem se arrastando há muito tempo em Moçambique. Confesso que, primeiramente, não achei que chegaríamos a níveis tão alarmantes. Mas o que vejo agora é digno de ser analisado, escrito, relatado, e até tatuado nas nossas testas. . . Venho para falar do “SWAG”, essa doença está atingindo violentamente a cabeça da juventude, juventude essa de que eu faço parte. E se nós, os jovens de hoje, já estamos em tal nível, como estarão os nossos filhos amanhã? Dos netos nem me parece bem pensar agora, ainda acabo por apanhar um ataque de coração.

O “Swag” chegou de mansinho na sociedade Moçambicana, assim como o Kuduro, lá para década de 90. Chegou de mansinho e foi se firmando a todo vapor, hoje, o tal de “Swag” já não é uma tendência, creio eu que seja doença!

O “Swag” tem várias definições mas, em Moçambique, é sempre aliado à moda. Creio que 75% daquilo que os nossos mais velhos apelidaram como sendo Massinguita -escândalo – vergonha – hoje em dia é o tão badalado “swag”. Nós, por sermos um povo constantemente influenciado pelas “novas monções mundiais cor de rosa”, acabamos caindo no ridículo! Uma vez que a nossa identidade vem se desgastando paulatinamente, corremos o risco de transformar Moçambique na nova cobaia da moda e etc.

Moçambique e a Onda do Swag
“This is swagg nigga”

Não tenho outra designação para a nossa actual situação, somos a cobaia perfeita do tal de “swag”. Lembrem-se apenas da invasão Nigeriana, em seguida Brasileira … são exemplos nítidos do que se passa em Moçambique! O estrangeiro comanda tudo que diz respeito à moda, até as roupas interiores “da malta”. Entendo perfeitamente que uma sociedade como a nossa está em constante desenvolvimento sócio-cultural… mas isso não é motivo para que deixemos espatifar a nossa identidade. Em Angola já se fala da tão polémica “COLAN XUXUADO” (Colantes que deixam um “dedo de camelo”/ desenham a vagina das mulheres, um verdadeiro atentado à nossa vista “tão bem educada”) , dizem – repito – dizem que ainda não chegou a Moçambique mas, e quando chegar? Bem, respondo:

Quando essa moda chegar a Moçambique, as Moçambicanas (a maioria delas, jovens) vão correr para adquiri-las, e a desculpa para tal falta de vergonha qual será? O “SWAG”!

O “Swag” veio para encobrir toda nossa falta de vergonha, o “Swag” veio para transformar a Massinguita em algo prestigiado… resultado, já não há pudor! E vemos o que vemos pelas redes sociais, bares, ruas ou avenidas… Ok, até um certo ponto chega a ser tolerável, mas quando vejo alguns Moçambicanos querendo virar “Escoceses”… Sinto muito, pelo que terei de deixar aos meus netos e filhos vestir futuramente porque, as saias já serão legais nos corpos dos homens e, em casos de verão, para quem não gosta de roupa interior, os tomates vão andar ao fresco entre as ruas, bares e chapa 100’s Moçambicanos (Com aquele calor infernal de Dezembro, no chapa!? Manano…) .

E assim vai a pérola, o filho irá ao serviço do pai com uma bela saia. A rapariga irá à igreja ser baptizada, trajando um “Colan Xuxuado” e tudo isso será apadrinhado pelo ” Swagg”. “Swag, swag, swag…” será aceitável sair de tangas e ir à praça dos heróis tirar fotos, uma vez que o “Swag” estará lá para apadrinhar! E assim, paulatinamente, os nossos valores morais que já estão bastante degradados, se vão mandar para o espaço…

E VIVA O SWAG!

Diremos nós…

Algo não está bem aqui, a nossa sociedade está doente.Esta é a minha nobre opinião!

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Emerson David de A. Chiloveque, 24 anos de idade, nacionalidade moçambicana. Estuda Relações Internacionais e História, em Tula, Rússia. Assumiu-se escritor amador há 2 anos. Chil escreve contos, crónicas e artigos para jornais e blogs. Enamorado pela arte, Chil encontrou na escrita a paz que precisa para contribuir para o desenvolvimento e enriquecimento cultural da humanidade.

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