Moçambique O futuro das línguas Moçambicanas

O futuro das línguas Moçambicanas

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Há algo assustador que tenho notado, que vem se alastrando há bastante tempo e, mais uma vez, a “geração Pro-Mc Roger” é a principal protagonista, porém, tem os seus auxiliantes que são os seus progenitores. Certa vez, um amigo meu Sul Africano, perguntou-me qual é a minha língua… e eu, todo cego,respondi “Português”. Vi alguém a explodir em risadas, fiquei parvo, sem perceber qual seria o real motivo de tanta graça ,alegria… mas tudo se desanuviou dentro em breve, ele ria-se porque Eu ,como africano, obviamente que tenho uma língua nativa e, mais de 20 como irmãs (no caso de Moçambique).

E não foi o único caso, cá na Rússia já nos perguntaram na aula de “Cultura dos Povos”, “qual é a vossa língua, quantas línguas há em Moçambique ” Eu e o meu colega Moçambicano, cegamente respondemos “Português” e, quanto à quantidade de idiomas espalhados pela Pérola, não fomos precisos, caminhamos entre os vinte e tal… É pah, são exemplos como esses que me deram uma nova visão no que diz respeito aos nossos vários, e ricos, idiomas desconhecidos por muitos do mesmo berço cronológico que eu!

Eu cresci numa casa em que era errado falar o Xichangana, o meu Pai não gostava dessa ideia, e a minha Mãe idem… não podíamos dizer “ni tsike, ni djula swakuda, Papai ,u bom” (me deixe, quero comida, Pai, estás bem) e por aí em diante, tinha de ser em Português e, admiravam-se mais quando um de nós conseguia fazê-lo em inglês e ponto final! Creio que casos como o meu vem se repetindo na nossa sociedade e o facebook, é o exemplo disso! Há mais posts em línguas estrangeiras, falo do Inglês, Francês, Espanhol, Italiano, e até em Chinês… que em línguas nativas Moçambicanas. Isso é uma vergonha, um atendado à nossa identidade, para onde caminhamos? Quem ira transmitir correctamente essas línguas para as gerações vindouras, quem? Uma vez que são poucos os que se interessam pelos nossos próprios idiomas e vangloriam-se pelo facto de serem “detentores” de línguas estrangeiras.

Triste caso o nosso, triste caso o teu, você que se julga Africano, Moçambicano, mas não sabe e nem se preocupa em aprender a tua língua nativa, e até chegas a ter vergonha da mesma. Isso assemelha-se a desprezar a tua Mãe, os teus ancestrais… que levaram com o chicote e palmatória, que trabalharam no “Xibalo” (trabalho obrigatório) e ansiaram pela LIBERDADE, para que hoje, pudesses transmitir os nossos valores pelo mundo inteiro.

Isso não se chama ser “xique” ou moderno, é a cara lúcida de um ser inculto.

Não obstante isso, ainda vamos a tempo de mudarmos este triste cenário, nada esta perdido. Ainda podemos transmitir aos nossos irmãos, primos, filhos… o pouco que sabemos sobre os nossos idiomas e não nos deixarmos embravecer quando eles forem a dizer “Mamana nakurandza, Papai nidjula Vovó…” (Mãe te amo, Pai quero ver a Vovó). Pois quando se trata de perda de valores, isto está incluso, podem crer…

Estamos tão preocupados com futilidades que acabamos esquecendo, ou ignorando casos como este e, futuramente, isto poderá nos lesionar ainda mais!
E mais não disse!

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Emerson David de A. Chiloveque, 24 anos de idade, nacionalidade moçambicana. Estuda Relações Internacionais e História, em Tula, Rússia. Assumiu-se escritor amador há 2 anos. Chil escreve contos, crónicas e artigos para jornais e blogs. Enamorado pela arte, Chil encontrou na escrita a paz que precisa para contribuir para o desenvolvimento e enriquecimento cultural da humanidade.

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