Textos Crónicas Os Mundos virtuais e literários, são reflexos do mundo em que respiramos

Os Mundos virtuais e literários, são reflexos do mundo em que respiramos

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Os  Mundos virtuais e literários, são reflexos do mundo em que respiramos
Quem nunca ficou de frente a  Tv a maravilhar-se com histórias do mundo “mágico” das flores? Com personagens como a Branca de Neve, o Peter Pan, os 3 Porquinhos, Tom e Jerry, Batman… quem nunca foi aos livros de contos para procurar personagens como a Cigarra e a Formiga, o Lobo Mau … E as histórias bíblicas? Somente para repudiar  actos da serpente que seduziu Eva, a fraqueza de Adão, a dedicação do servo fiel Jo, entre outras tantas passagens que, bem ou mal, marcam-nos para todo o sempre?

Por vezes há a necessidade de nos recolhermos num mundo que achamos inexistente! Por vezes somos tão tolos e achamos que, o que acontece nesse meio  onde nos abrigamos por instantes, para buscar breves momentos de irrealidade, não condiz com o que o nosso quotidiano nos presenteia. Por vezes julgamos  esses refúgios e seus habitantes uma  pura utopia!

Sim, concordo que sejam completamente incomuns, ao relacionarmos os  seus trajectos com a nossa realidade. Mas estou disposto a provar que os mesmos que procuramos nesses frutos de imaginações criativas, são os que convivem connosco no nosso dia a dia.

Conheço o Peter Pan e sua “gangue”, várias vezes tentei persuadi-lo a aceitar as leis da natureza, para que não tentasse mudar as ideias de flores, levando-as a pensar que para sempre seriam aos olhos de todos inocentes, sem nem um pingo de responsabilidade. E tenho a certeza que Tu, caro leitor, também deves conhecer o Peter Pan. Quem não conhece o filho bem amado dos pais chorudos, que sempre teve tudo na vida, desde o primeiro dia em que sentiu o seu  coração a bater  fora de uma “esfera carnal”?

Esses mesmo que se envolvem com crianças, induzindo-as ao consumo do álcool, as drogras, desestabilizando a paz familiar, e ajudando a multiplicar “o bando”. Desrespeitando os seus responsáveis, incutindo na mente das flores que eles não passam de um “Capitão Gancho, alguém a ser desafiado sempre que aparecer, enfrentando frontalmente com palavras  cortantes, e por vezes com agressões físicas. Sim, temos o Peter Pan, directamente ou indirectamente ele está presente em nossas vidas!

Também  conheço a Cigarra, assumo, já fui uma quando estudante do ensino primário e secundário. Do principio do ano lectivo até às vésperas do final,  eu apenas divertia-me. Passava a maior parte do tempo fazendo Hip-Hop, jogando futebol, tentando conquistar raparigas… e sempre havia uma formiga alertando-me do perigo  “estuda  Emerson, estuda…” e eu,  “ ainda estamos no inicio do ano, não te preocupes comigo, está tudo sobre controle, tenho como copiar nos testes…”. E lá ia a minha companheira, trabalhar para  garantir mantimento para  o inverno. Chegado  os dias das avaliações, nem sempre eu conseguia copiar, e nesses casos recorria à vizinha, que por sinal fora boazinha por muito tempo.Tanto que só reprovei uma vez na vida! Agora caro leitor, diga-me se  conheces, ou não, uma Cigarra, e a Formiga?

E quanto à Serpente da história bíblica, retratada como “Lúcifer. Quem não conhece uma  vizinha, colega,  “amiga” linguaruda e intriguenta? Aquela que sempre esteve ao teu lado  “para o que der e vier. Aquela que tu sempre consideraste amiga, companheira, o teu pilar… Pois é, mas que no fundo te induzia ao erro para que armasses maldosamente para com os teus. Que dizia adorar e admirar o teu relacionamento, mas que no fundo sentia inveja da tua relação com teu esposo ou namorado e que era capaz de dar tudo para ver o seu fim? Temos várias Serpentes na nossa  sociedade, e,  infelizmente, teimam  em  criar discípulos por tudo quanto é canto. Essa é mais uma triste realidade que muitos fingem não ver, ou não conseguem conciliar com as histórias que tanto admiram.

Mas nem tudo é um temporal, temos também em nossa sociedade o nosso Batman e o Jó da história bíblica, aquele que sempre fora rico, que viu o mundo aos seus pés. E, de um momento para o outro, foi-lhe tirado tudo de  suas mãos. E mesmo assim, não fez o mal ao  seu próximo, compartilhou a sua água e o seu pão sem amaldiçoar ninguém e nem olhar pelo canto do olho. Reergueu-se das cinzas e reiniciou a edificação do seu castelo. Chegado ao tão ansiado momento,  depois de ter visto e sentido na pele o que é ser desfavorecido, dedicou a sua vida pelos que se encontram nesse estado.

E o Batman? Acredito que  tenhamos juízes incorruptiveis, embora muita gente não compartilhe da mesma ideia que eu. Acredito que há quem ingressou nesse mundo da justiça, por ter sido injustiçado e por não confiar em mais ninguém. E, a partir do momento em que atingiram o exigido para julgar os povos, dedicaram-se fielmente, dentro dos parâmetros da legalidade, sem  corromper a ética jurídica!

Com os exemplos apresentados acima quiz dizer o seguinte: A única forma de nos desligarmos do mundo e seus problemas, é não existindo! Para onde quer que a gente vá, seja lá qual for o meio que procuremos para entrar para a dita “irrealidade, encontraremos sempre vestígios da tão óbvia realidade.Creio que o mais proveitoso seja transformarmos tais exemplos em experiência, para que não caiamos em armadilhas que tão bem conhecemos, e considerarmos a nossa própria sombra um abismo de idiotice!

Profile photo of Chil Emerson David
Emerson David de A. Chiloveque, 24 anos de idade, nacionalidade moçambicana. Estuda Relações Internacionais e História, em Tula, Rússia. Assumiu-se escritor amador há 2 anos. Chil escreve contos, crónicas e artigos para jornais e blogs. Enamorado pela arte, Chil encontrou na escrita a paz que precisa para contribuir para o desenvolvimento e enriquecimento cultural da humanidade.

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