Mahamudo Amurane

Mahamudo Amurane

Mahamudo Amurane (02 de Junho de 1973, Nampula – 4 de Outubro de 2017, Nampula) foi um político moçambicano, que até a data sua morte exercia o cargo de Presidente do Município da Cidade de Nampula. Amurane foi assassinado no dia 4 de Outubro de 2017 em circunstâncias não esclarecidas até a data.

Infância e Juventude

Mahamudo Amurane, desde pequeno, passou por inúmeras privações. Muito cedo, perdeu o seu pai, facto que teve implicações não só na vida pessoal, mas também nos estudos. Foi criado pelos irmãos mais velhos, uma vez que a sua progenitora não dispunha de condições financeiras. Porém, graças à sua dedicação, conseguiu concretizar a maior parte dos seus sonhos.

Optimista e com um desejo enorme de alcançar os seus propó- sitos, desde pequeno foi um homem que correu atrás de um sonho que acabou por alcançar. Concluiu o seu ensino primário na EPC de Marocane, actual Instituto Agrário de Ribáuè, na província de Nampula. Prosseguiu com os estudos no Centro Internato da Missão Católica de Iapala, onde foi acolhido pelos responsáveis da instituição porque não dispunha de meios, uma vez que os familiares viviam na cidade de Nampula. Praticamente desamparado, o novo edil de Nampula não se deixou levar pela aflição. Determinado, lutou pela vida, ganhando algum dinheiro, o que permitiu concluir a 7a classe.

Depois mudou-se para a cidade de Nampula, na boleia de um funcionário da Direcção Provincial de Saúde, o qual se simpatizou com o jovem, pois notou que estava sozinho sem condições financeiras para chegar à capital provincial. Naquele tempo, concluir a 7a classe era uma honra para a família. Mas Amurane não se conformou com isso. Continuou a estudar, desta feita no ensino secundário geral na antiga Escola Secundária 1o de Maio, que funcionava nas actuais instalações da Universidade Católica de Moçambique, em Nampula.

Percurso académico e início de carreira

Filho de um responsável de uma mesquita, designado sheik, era natural que ele também fosse da mesma religião. Quase todos os membros da sua família professam o islamismo. Por diversas vezes, Amurane foi abordado por um grupo de homens da religião cristã, os quais o convidaram a converter-se. Na ocasião, recusou e mostrou-se determinado apenas em continuar a estudar. Mais tarde, reflectiu e chegou à conclusão de que se tratava de uma chamada de Deus, razão pela qual se converteu ao cristianismo. A primeira igreja que frequentou foi a Assembleia de Deus. Mais tarde, preferiu a Igreja Católica. Amurane participou num programa de formação de técnicos de controlo de tráfego aéreo.

Tendo sido o melhor aluno do grupo dos formandos, beneficiou de outro curso do mesmo ramo na cidade de Maputo. Entretanto, a sua irmã, Adelaide Amurane, a actual ministra para os Assuntos Parlamentares, aconselhou-o a interromper a carreira, porque não havia nenhuma perspectiva em termos de progressão, tendo-lhe oferecido uma proposta de formação no Brasil por um período de 60 dias em matérias de capacitação de empresários de microempresas em contabilidade, administração e finanças. De referir que a sua viagem ao Brasil foi uma alavanca para a sua vida.

Durante a sua permanência, relacionou-se com algumas pessoas amigas e recolheu informações sobre os custos e procedimentos para beneficiar de bolsas de estudo. Terminado o curso, regressou a Moçambique, onde esteve a trabalhar no Gabinete de Promoção de Emprego no Ministério do Trabalho como técnico de treinamento empresarial.

Durante sensivelmente três anos foi amealhando algum dinheiro resultante do salário que ganhava. Não tinha despesas, porque morava na casa da sua irmã. Tempos depois, decidiu voltar ao Brasil para concorrer a uma bolsa de estudo oferecida pelo Governo brasileiro apenas com a isenção das propinas. O dinheiro que foi guardando ao longo dos anos serviu para a sua manutenção naquele país. Naquele país, não cruzou os braços, tendo continuado a trabalhar num projecto desempenhando as mesmas funções de técnico de treinamento e auferindo um salário mínimo de 300 dólares norte-americanos.

O dinheiro era, ainda, insuficiente e arranjou outras alternativas de sobrevivência. Trabalhou em restaurantes e bares. Com muito sacrifício, conquistou a simpatia de alguns brasileiros, tendo obtido emprego em duas instituições, sendo o Banco Brasileiro como estagiário durante a noite e o Instituto de Previdência de Servidores Públicos.

Vida profissional e política

Depois dos estudos, teve muitas ofertas de trabalho naquele país latino-americano. Contudo, mostrou-se determinado a regressar a Moçambique, porque a sua formação envolveu muito sacrifício e precisava de voltar à sua terra. “Moçambique precisa mais de mim do que o Brasil”, afirmou. Há quem diga que Deus o terá castigado, porque depois de recusar as ofertas no Brasil percorreu toda a cidade de Maputo de lés a lés à procura de emprego.

Mais tarde, arranjou um emprego na Medis Famaceutical Limitada como coordenador administrativo e financeiro. Foi aí onde tomou a iniciativa de ter a sua própria farmácia, porque descobriu que o negócio de medicamentos gerava muito dinheiro. Além disso, não estava satisfeito com as suas funções, pois sentia-se pouco valorizado e a rotina do trabalho era estática. O seu trabalho limitava-se a controlar o armazém, incluindo todo o processo de vendas. “As minhas capacidades chamavam-me para outros desafios”, anotou.

Em 2000, abandonou o seu posto de trabalho e foi leccionar no Instituto Médio da Administração Pública em Maputo. No ano seguinte, começou a trabalhar como docente do Instituto Politécnico Universitário, na cidade de Quelimane, onde assinou outro contrato de trabalho como assessor da administração e gestão na Direcção Provincial de Saúde da Zambézia, através do Fundo Europeu para o Desenvolvimento.

Em 2003, conseguiu uma vaga como docente na Universidade Mussa Bin Bique no período pós-laboral. Durante o dia, desempenhava as funções de assessor de administração e gestão na Direcção Provincial de Saúde de Nampula, num programa desenvolvido pela USAID. No ano seguinte, recebe um convite para assessorar a Direcção Provincial de Saú- de de Cabo Delgado na área de administração e gestão.

O contrato foi celebrado a curto prazo, tendo regressado a Nampula, onde continuou a dar aulas em gestão de projectos na Universidade Mussa Bin Bique. Já em 2006, recebeu uma proposta para o cargo de oficial de programas de Educação no projecto da Intermón Oxfam, uma ONG espanhola que, na altura, desenvolvia as suas actividades na província de Niassa.

Há quem diga que Amurane é um profissional (in)grato, mas a sua vontade é sempre a de trabalhar assumindo cargos com funções dinâmicas. Por isso, em 2007 integrou a equipa de trabalho da GIZ Pro Educação como assessor financeiro na província de Sofala. Em 2012, regressa à terra dos macuas para assumir as funções de consultor financeiro da UNICEF, num programa denominado NAMWASH (Águas de Nampula) adstrito à Direcção Provincial das Obras Públicas e Habitação.

Até sua eleição a presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula trabalharva por conta própria num estabelecimento comercial denominado Farmácia Amurane, especializado na venda de produtos farmacêuticos e cosméticos.

Amurane Presidente

Mahamudo Amurane concorreu nas eleições autárquicas de 2013 à Presidência do Município da Cidade de Nampula, pelo Movimento Democrático de Moçambique, tendo sido eleito com pouco mais de 30 mil votos, contra 22 mil do candidato da Frelimo, Adolfo Siueia.

Os primeiros dois anos foram de uma governação municipal caracterizada por clivagens com membros da sua formação política. Problemas que se agudizaram e vieram à superfície no mês de Fevereiro de 2017.

Abandono do MDM

Em Fevereiro de 2017, Amurane afirmou que no seu partido havia gente que o queria ver pelas costas, supostamente por não compactuar com algumas atitudes que atentam contra os princípios de gestão da pública em detrimento dos interesses pessoais e partidários.

Mahamudo Amurane, disse ainda que o golpe que estava a ser orquestrado contra si já era antigo, tendo começado quando ele recusou ceder a certas pressões do partido e requisição de fundos para fins partidários, incluindo viaturas e combustíveis.

Segundo o edil, no MDM existem militantes que se opõem à expulsão de funcionários corruptos, alguns dos quais por serem membros do partido.

Face a estas situações, prosseguiu Amurane, alguns sectários promoveram campanhas de difamação contra si, alegando, por exemplo, que ele possuia uma residência em Portugal, a qual foi adquirida com fundos da edilidade, bem como os filhos estudam graças ao dinheiro retirado fraudulentamente do município.

Num outro desenvolvimento, o edil de Nampula acusou o presidente do MDM, Daviz Simango, de ter arranjado advogado de reputado mérito para defender Amurane das acusações que pesam sobre si, em troca de alguns favores.

Mahamudo Amurane que acabava de denunciar onze funcionários do Balcão Único de atendimento municipal, incluindo o vereador das Finanças de envolvimento no desvio de cerca de três milhões de meticais, aparecia publicamente a se queixar de perseguições. Ainda assim, Amurane prometia que continuaria a combater aqueles que classificou de ladrões acomodados no município.

Em jeito de reacção, no mês de Junho o MDM excluía Mahamud Amurane como provável candidato desta formação política para eleições autárquicas de 2018.

A 22 de Agosto, por ocasião das celebrações do 61º aniversário da cidade de Nampula, Amurane anunciou que iria deixar o partido e constituir uma formação política para concorrer à presidência do município.

Assassinato

Horas após discursar nas cerimónias de celebração do Dia da Paz e Reconciliação Nacional, que assinalou os 25 anos da assinatura dos acordos de paz de Moçambique, Amurane dispensou o guarda-costas que o acompanhava, um agente policial a que tem direito por lei, para se deslocar a casa, onde acabaria por ser alvejado por um desconhecido.

O suspeito entrou na farmácia do autarca, no rés-do-chão da sua residência particular, dirigiu-se a ele e disparou três tiros, segundo relatou à Lusa Saide Ali, vereador que estava junto a Amurane no momento do crime.

Referências

http://www.verdade.co.mz/eleicoes/35-themadefundo/42655-mahamudo-amurane-o-homem-que-desafiou-o-seu-destino

https://amurane.wordpress.com/

Mahamudo Amurane morto a tiros

Mahamudo Amurane anuncia fim do casamento com MDM

http://www.verdade.co.mz/destaques/democracia/62400-autarquicas-2018-mdm-exclui-mahamudo-amurane-como-provavel-candidato-em-nampula

http://www.verdade.co.mz/destaques/democracia/61090-edil-de-nampula-queixa-se-de-ser-vitima-do-proprio-partido

https://www.voaportugues.com/a/manuel-tocova-arguido-assassinato-mahamudo-amurane/4090991.html

Sobre Esta Personalidade
Photo ofMahamudo Amurane
Nome
Mahamudo Amurane
Alcunha
(Amurane)
Ocupação
Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula
Organização
Conselho Municipal da Cidade de Nampula

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