Moçambique Ser Africano Não é Ser Macumbeiro

Ser Africano Não é Ser Macumbeiro

Nós moçambicanos temos a mania de achar que não sabemos nada e que sempre precisamos de alguém para nos dizer o que fazer principalmente se essa pessoa for de pele branca.

Eu estava a conversar com alguns amigos cristãos sobre nosso país e dos problemas que temos atravessado, das novelas que corrompem nossas crianças, dos filmes americanos de propaganda, manipuladores e desinformadores, da musica indecente que nossos filhos estão expostos todos os dias e dos programas de televisão que nada fazem para promover o amor a pátria, muito pelo contrário, promovem todo tipo de inutilidades vindas de fora e ridicularizam qualquer um que tente fazer algo genuinamente Moçambicano.

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Enquanto falávamos, passou perto de nós um jovem rapaz que trazia um enorme colar feito de missangas coloridas, peles de algum tipo de animal, e “arbustos” ou algo do género.

Meus amigos que frequentam igrejas neopentecostais de origem brasileira ficaram extremamente indignados com aquilo e começaram a referir-se a ele como macumbeiro, pecador e diziam coisas como: “Ele precisa se libertar” “Ele está servindo ao diabo”.

Eu fiquei um pouco incomodado com aquilo e entrei na conversa com estas palavras:

Ora vejamos meus amigos, vocês são cristãos, mas também são africanos, Deus nunca disse que os seus filhos deveriam usar calças ou vestidos, se fosse o caso, todos os cristãos usariam túnicas e sandálias, porque era assim que o povo de Deus vestia antigamente! Quando o cristianismo ganhou força na Europa, os europeus o receberam mas não começaram a usar túnicas e os hebreus não chamavam suas roupas “pecado”, porquê? Porque essa era a cultura deles, todos os países têm comunidades cristãs e cada comunidade veste e ornamenta-se de acordo com a cultura do seu povo.

O mesmo se aplica a vocês, é completamente errado um cristão achar que está a pecar porque usa missangas ou peles. Aliás, é estúpido rotular as pessoas com base em contos da carocha e filosofias de religiões que nada sabem sobre o nosso povo, aproveitando-se da nossa pobreza física e intelectual para nos injectarem seu dogmatismo, dominando-nos e deixando-nos ainda mais pobres. O papo usado para nos colonizar é o mesmo que faz os moçambicanos auto-reprimirem-se e desvalorizarem sua cultura.

É engraçado quando esses bispos e pastores sempre que chegam aqui, vestem túnicas nigerianas para parecerem africanos. Nós não somos nigerianos, não usamos túnicas!

As crenças alheias não são problema meu (embora a minha opinião seja bem clara), mas exorto às igrejas e outros que parem de chamar nossos irmãos moçambicanos de macumbeiros. Porque ser africano não é ser macumbeiro…

Valorizemos nossa cultura, nosso artesanato, nossa música pura, valorizemos nossa história, valorizemos a África, que já existiam antes dos mega-templos.

6 COMENTÁRIOS

  1. Adorei a postagem, eu como brasileira sei bem como funciona a desvalorização de culturas(principalmente a africana). Esses pastores, bispos e etc. Estão influenciando muito a sociedade de forma negativa, com discursos de ódio e preconceito. Manipula a cabeça afim de puramente enricar com a ignorância alheia.

  2. Todos os seres humanos do Continente africanos, são portadores do respeito, da integridade ao seu próximo, de um conjunto de culturas e da beleza sem par.Como afro descende do Brasil, evidente que fico muito gratos pelas raizes, de minha existências.

  3. concordo plenamente….cada povo tem seus habitos…e maneiras de estar na vida….eu adoro todo o atesanato moçambicano….e a bijuteria de missangas….e respeito quem nao goste…nada tem a ver com ser macumbeiro….

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