A Lebre, figura frequente como vilão em diversas histórias africanas, depara-se nesta narrativa com um animal peculiar, o Inkalimeva, semelhante a um chacal.

Certa vez, os animais decidem construir um curral para guardar seu bem mais precioso: um grande pote de gordura. O Damão-do-cabo é incumbida de vigiar o tesouro enquanto os demais se ausentam.

Não demora muito para que o Inkalimeva apareça. O Damão-do-cabo, um pequeno ser preguiçoso, já havia adormecido, permitindo que o Inkalimeva entre no curral e devore toda a gordura. Ao sair, ele atira uma pedra no Damão-do-cabo, que acorda e, em prantos, anuncia: “A gordura que pertence a todos foi devorada pelo Inkalimeva!”

Ao retornarem e descobrirem a perda, os animais, tomados pela ira, matam o Damão-do-cabo.

Quando acumulam mais gordura, designam o Suricata, para a guarda. O Inkalimeva, astuto, traz consigo um pote de mel, do qual o Suricata é extremamente afeiçoado. Enquanto o ingênuo guarda se delicia com o mel, o Inkalimeva invade o curral e devora novamente toda a gordura. Em seguida, atira uma pedra no Suricata, que, ao se levantar, solta um grito de horror ao perceber o que aconteceu.

Mais uma vez, a ira dos animais se acende e o pobre Suricata é brutalmente assassinado.

Vários outros animais são nomeados para a guarda, mas todos são sucessivamente enganados pelo astuto Inkalimeva.

Finalmente, a lebre é escolhida. “Oh, não”, ela protesta, “O Damão-do-cabo está morta, o Suricata está morto, o antílope-azul está morto, o cabrito está morto, assim como o porco-espinho. Vocês realmente acham que eu não quero viver?”

Mesmo assim, após muita insistência e promessas de que não a matariam, ela concorda.

Quando os animais se vão, a lebre se deita, mas apenas finge estar dormindo. Logo, o Inkalimeva se aproxima sorrateiramente e entra no curral, começando a lamber a gordura.

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“Ei! Deixe a gordura em paz!”, grita a lebre.

O Inkalimeva, percebendo que precisa fazer amizade com essa vigia atenta, logo está conversando e jogando com ela.

“Você poderia amarrar minha cauda a qualquer coisa e eu sempre conseguiria escapar”, gaba-se a lebre. “Você poderia fazer o mesmo com a minha, tenho uma cauda excelente”, responde o inkalimeva.

“Vamos ver, então”, diz a lebre. O Inkalimeva concorda e, num instante, a lebre o amarra firmemente. Ao ver que o Inkalimeva não consegue se libertar, a lebre pega seu porrete e o mata.

Em seguida, toma a cauda do Inkalimeva, que era deliciosa, e a devora por completo, exceto por um pequeno pedaço que esconde na cerca do curral.

Então, ela grita: “A gordura pertencente aos animais foi devorada pelo Inkalimeva!”

Os animais, ansiosos, vêm correndo, mas que alívio é quando veem a gordura a salvo e o Inkalimeva jazendo morto.

Eles pedem a cauda ao lebre, que por direito pertencia ao chefe.

A lebre responde, “O que eu matei não tinha cauda.”

“Como pode um Inkalimeva não ter cauda?”, perguntam eles, incrédulos.

Começam a procurar e, finalmente, encontram o pedaço de cauda na cerca. Quando o chefe