Esta é uma história africana, contada pelos San, ou Bosquímanos, do Deserto do Kalahari na Namíbia, sobre a origem das listras da zebra.

Muitas lendas africanas buscam explicar as características únicas ou o comportamento dos animais selvagens. Portanto, como a zebra adquiriu suas listras pretas, ou seriam brancas? Deixe-me contar-lhes a fábula.

Era uma vez, quando os animais ainda eram novidades na África e o clima extremamente quente, a água era um bem escasso, limitando-se a poucas poças e reservatórios.

Uma dessas fontes de água era vigiada por um babuíno barulhento, que se autoproclamava “senhor da água” e proibia qualquer um de beber de sua reserva.

Num belo dia, uma zebra e seu filho aproximaram-se para beber água, mas foram prontamente confrontados pelo babuíno, que, sentado ao lado de sua fogueira próxima ao poço, ergueu-se e gritou com voz potente: “Afastem-se, intrusos. Esta é minha água e eu sou o senhor dela.”

“A água é de todos, não apenas sua, cara de macaco,” retrucou o filho da zebra.

“Se quiser um pouco da água, terá que lutar por ela,” respondeu o babuíno, enfurecido, iniciando um combate feroz entre os dois.

A luta levantou uma nuvem de poeira, até que, com um chute poderoso, a zebra lançou o babuíno contra as rochas do penhasco atrás deles. O babuíno aterrissou com força, removendo todo o pelo de seu traseiro, deixando até hoje a área sem pelos onde pousou.

O jovem zebra, cansado e machucado, sem olhar por onde ia, recuou através da fogueira do babuíno, que o queimou, marcando seu pelo branco com listras negras de queimadura.

O susto das queimaduras fez com que a zebra galopasse para as planícies da savana, onde permaneceu desde então.

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O babuíno e sua família, no entanto, permanecem nas alturas das rochas, onde desafiam todos os estranhos com seus gritos. E, ao caminhar, ainda levantam suas caudas para aliviar a dor das queimaduras nas nádegas sem pelo.

Esta narrativa, além de ser um rico exemplo do folclore africano, ilustra a interação dinâmica entre os seres do ambiente selvagem africano e os elementos naturais. Reflete sobre a disputa pelo recurso vital que é a água, um tema ainda relevante no contexto africano contemporâneo, onde a escassez de água é uma realidade em muitas regiões.

A história da zebra e suas listras, além de ser uma fábula encantadora, carrega em si lições de resiliência e adaptação. Demonstra como os animais (e, por extensão, as comunidades humanas) devem navegar e negociar seu espaço e recursos em um ambiente muitas vezes inóspito.

O simbolismo do babuíno e da zebra em conflito por recursos naturais ressoa com as questões de conservação e sustentabilidade enfrentadas por muitas comunidades africanas, destacando a importância da coexistência pacífica e do respeito mútuo entre todas as formas de vida.