Poeta Militar: eu sou aquilo que o meu bairro me faz

Poeta Militar: eu sou aquilo que o meu bairro me faz

Poeta Militar fez esta e outras declarações aquando da entrevista sobre a obra Avental de um Poeta Doméstico que será lançada na próxima quinta-feira, dia 12 de Maio de 2016, às 17h:30min, na mediateca do BCI.

Faltando poucos dias para o lançamento da sua primeira obra, Poeta Militar aceitou “amarrar” o Avental com a equipe do MMO e falou sobre sua origem e motivo para a escrita.

Você, caro leitor, é convidado, desde já, a passear os olhos nas linhas declarativas de Poeta Militar.

Avental de um Poeta Doméstico

Poeta Militar6

Sobre a origem e os primeiros passos nos meandros da literatura

“Falar de mim é um exercício muito difícil, até me parece que estou a falar de uma outra pessoa que a mim não pertence… Poeta Militar é um jovem aspirante à escritor que entra nessas lides em 2007 de uma forma já séria. Antes dedicava-me à literatura, mas com o leitor, como declamador e como um simples apreciante da literatura… depois de tanta investigação, leitura, depois de conhecer outros vários poetas, fui cultivando um estilo próprio e depois adoptei esse nome de Poeta Militar… porque eu acho, acima de tudo, que a literatura é um exercício de engajamento…”

Sobre a periferia e a influência de poetas de bairros periféricos

“O próprio bairro já é um motivo de inspiração porque esses nossos bairros periféricos nos apresentam novidade a cada dia… o título do meu livro já denuncia esse apego pelo bairro, pela casa… no princípio, como qualquer outro poeta vindo de um bairro periférico, tive uma influência muito forte de Craveirinha, de Eduardo White e de amigos que aqui vivem, e fui desenvolvendo uma escrita que nasce no bairro mas não se prende só ao bairro.”

Sobre o surgimento de Avental de um Poeta Doméstico numa perspectiva regionalista (a periferia)

“O próprio livro, antes de acontecer em formato físico, já me acompanhava em todos os momentos: aqui no bairro com um amigo conversando…; sou um poeta doméstico, tudo o que faço não segue nenhuma regra, a regra que eu sigo é aquilo que eu sou… ”

Sobre a influência da sua escrita de combate na sociedade moçambicana

“… é uma escrita de combate… todo o bom guerrilheiro se faz à luta com a ideia de que vai vencer e eu acho que já estou a vencer porque tanto aqui no bairro coisas que eu sempre denunciei às vezes não vejo. Eu acho que a escrita é, de facto, um instrumento bem eficaz nesse processo de rebuscar, de revisitar valores que a juventude está a perder…”

Sobre o ventre do escritor

“Difícil de responder… mas eu acho que a escrita, como qualquer outra actividade humana, baseia-se na sensibilidade. Quando nós estamos em condições de sentir por inteiro aquilo que nos escorre, aquilo que nos acontece enquanto pessoas e aliando um pouco com aquilo que não nos acontece é aí onde surge um artista, mas acima de tudo nós já nascemos com isso bem do ventre da mãe… ”

Sobre as palavras e a busca da realidade

“Essas palavras não seriam fuga à realidade. O poeta diz aquilo que todo o mundo pode dizer. O Avental não trata de assuntos desconhecidos, mas há essa particularidade de querer tratar isso seguindo um certo estilo. Falo de coisas que diariamente discutimos aqui no bairro, coisas que diariamente discutimos no país…, mas é o querer dizer obedecendo o estilo que faço.”

Sobre a simbiose entre o poeta e o filósofo

“Essa é uma questão complexa e difícil demais. Eu gosto de ver essas nossas convulsões com o olhar de um escritor porque um escritor é, em parte, como um filósofo: não tem limites; não tem balizas…; a coisa não [deve] ser vista numa única perspectiva…”

Sobre a linguagem e a forma poética

“O ser humano acontece dentro da linguagem. Não podemos pegar na mesma linguagem como forma de negar o que o outro expressa. Não podemos impor aquilo que queremos transmitir com a linguagem, ou seja, não podemos manter uma comunicação já com paradigmas porque essa comunicação seria egoísta… condicionamentos tornam a comunicação impossível.”

Sobre o segredo do Avental

“Eu resumo o segredo do avental em três palavras: tédio, saudade e cansaço.”

“O avental eu dedico ao meu pai…”

Caro leitor, se quiser assistir a entrevista completa com Poeta Militar clique aqui. (Vídeo ainda em edição)

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